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é impossível ser feliz sozinho

>> sexta-feira, 20 de julho de 2012


O ano tem bem uns cinco "dias do amigo", e eu nunca sei qual é o de verdade. Mas digamos que hoje, 20 de julho, seja um dia especial pra nós celebrarmos a presença de pessoas que interferem de forma tão marcante na nossa vida. Então, Feliz do amigo =D

Minhas relações com essa coisa de amizade sempre foram muito apaixonadas. Quando eu criança, os amigos - os "melhores amigos" eram a coisa que eu mais prezava no mundo. Eu sempre fui uma amiga apaixonada, dedicada, sempre quis ser a melhor amiga que alguém pudesse ter. Sempre quis fazer parte "das meninas": "As meninas vão pro cinema amanhã, as meninas já montaram o grupo, as meninas vão dormir na casa de fulana". Mas eu não era "das meninas", era das cdf's. Então eu só participava quando era do interesse "das meninas". E assim eu fui crescendo meio sozinha, no meio dos meninos, bem mais fáceis de lidar, e dos livros, companhias bem mais presentes. 
Depois daquele fatídico dia em que a escola inteira zombou de mim, as coisas mudaram um pouco. Parei de querer fazer parte "das meninas" e fui criar o meu próprio grupo de "meninas". 
Acho que nesse ano, na sétima série, foi a primeira vez que eu me senti segura e confortável entre amigos, sem o sentimento de inferioridade [vindo sabe freud da onde] que sempre me acompanhou nos anos anteriores (e me assombrou nos anos seguintes também).
O fato é que, até entrar na UnB, meus amigos sempre foram feitos na escola. Era onde eu passava a maior parte do meu tempo, era onde toda a minha vida acontecia. Era onde eu mais gostava de estar. A UnB mudou tudo. [Mas isso é assunto para outro post.]

Ter amigos como os que eu tenho hoje é uma das coisas que mais me dão momentos felizes na vida. E eu nunca achei que seria assim. Sempre quis. Desde sempre, sem motivo aparente, eu valorizei muito a amizade na minha vida. Por esperar muito dela, tive grandes decepções e frustrações. Foi só quando parei de cobrar tanto e de oferecer mais, quando eu parei de apostar todas as minhas fichas num "Melhor Amigo", que eu pude ter amizades realmente desinteressadas, leves, livres. 




O "mito" do melhor amigo - a necessidade de ter um, e de ter que acreditar que aquela pessoa, e SÓ aquela pessoa vai e precisa estar presente em todos os momentos da sua vida, sempre pronto pra te ajudar, é uma das coisas mais enganosas e egoístas que a gente aprende na infância. Só quando eu me livrei dele é que pude ser amiga de verdade, não de UMA só pessoa, mas de quem estivesse disposto a se comunicar comigo. Amizade precisa ser compartilhada, multiplicada, elevada à décima potência! Só quando entendi que uma amizade sincera é baseada em franqueza (e não em "vou concordar com você em tudo"), em boas conversas, (e não em "relatórios da vida"), em se sentir confortável com a outra pessoa (e não em cobrança), é que passei a ter bons amigos, antigos e novos, mas, principalmente, muitos! Amizade é sinônimo também de intimidade, que às vezes você demora muito tempo pra conquistar, às vezes não. Às vezes você consegue manter, às vezes não. Mas que você só consegue se estiver aberto. (Na verdade eu sempre estou disposta a abrir as pessoas, caso você precise de uma ajudinha, hahaha)
Hoje em dia eu praticamente coajo as pessoas as serem minhas amigas, porque acredito de verdade que elas sempre podem me mostrar mais do que estão mostrando. Algumas não gostam mesmo e acabam se fechando mais - mas a maioria só estava esperando esse empurrãozinho pra se sentir confortável pra se expor um pouco mais. 

Há amigos pra vida toda, e amigos pra bons momentos - e eu quero todos eles! 

Para os meus caríssimos amigos hoje, digo: preciso de vocês! [Mas não tenham dúvidas de que quando vocês não me quiserem mais, eu vou arranjar novos amigos, porque, fala sério, eu sou muito legal, hahaha]
Gosto sinceramente de vocês, vibro de alegria quando seus planos dão certo, sinto a tristeza de vocês quando eles dão errado. Estou quase sempre pronta pra ouvir e discutir o assunto mais aleatório, suporto os defeitos de vocês com a mesma paciência com que vocês suportam os meus, e com o tempo vou até aprender a gostar deles. Sejam os de muito ou de pouco tempo, os de uma vida ou de uma tarde qualquer: contem comigo! Contem com a minha sincera disposição de amar vocês como vocês são! 

Aos brothers mais especiais, íntimos e gostosos: Obrigada por esse amor, por esse carinho, por essa preocupação com as minhas maluquices e total falta de juízo! Obrigada por compartilharem a vida de vocês comigo, por me deixarem fazer parte dos momentos mais importantes dela! Obrigada por ouvirem minhas novelas, presenciarem meus surtos, entrarem na minha loucura particular! [Vocês sabem quem são vocês, né?] 







Ultimamente sempre tenho ido dormir com a sensação - a certeza - de que tenho os melhores amigos do mundo, dentro e fora de casa. Espero que esse sentimento não vá embora, e que eu possa retribuir esse amor, com mais amor, mais amor, mais amor, mais amor...com amor [porque amizade é só mais um nome pra ele!]



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depois daquela paixão...

>> quinta-feira, 2 de junho de 2011

Na último post, vimos uma história que começou na fase confusa da adolescência mas terminou bem - hoje os dois são adultos e felizes. Mas a adolescência é também a fase em que um grande amor pode mudar tudo, tamanho o poder que ele pode ter ao ser alimentado pelo sentimento de desespero e urgência do adolescente. Quem nunca teve um amor assim?

Na história de hoje, duas amigas também se interessam pelo mesmo príncipe - mas dessa vez elas não tiram no palitinho a sorte pra ver quem "chega" primeiro. A mais esperta chegou e pegou - é, eu tenho que corrigir, essa não é uma história bonitinha, é uma história de pegação mesmo. Mas, essa primeira amiga foi também um erro de percurso (e mais tarde acabou descobrindo que não era bem de príncipes que ela gostava).

***
Noite de lua cheia, festa da igreja, barraquinhas, uma banda brega de forró qualquer, e os novos amigos, e os amigos antigos dos novos amigos. Entre eles, ele. Nunca haviam se visto, mas era como se naquele momento ela soubesse que estava diante daquele que mudaria sua vida. E não estava errada. Infelizmente, enquanto estava perdida nesses pensamentos, sua amiga, mais esperta, já estava com tudo esquematizado pra "ficar" com o seu recém-descoberto príncipe encantado. E assim foi. Enquanto os dois iam para um lugar remoto da festinha, ela tentava disfarçar seu ciúme - ciúme absurdo, acabara de conhecer o Fulano! Mas foi pra casa com esse ciúme, que não sabia explicar de que parte sombria de sua personalidade havia surgido.

Dias depois, agora sem a amiga usurpadora, ela reencontrou seu príncipe na casa de uma das amigas em comum. Era sua chance de mostrar que ele havia escolhido a menina errada naquela festa. E deu certo. ele encerrou o "lance" com a outra e três dias depois começava o "lance" dos dois. Uma semana depois o lance virou namoro e foi pras páginas do diário dela: "Estou namorando. O nome dele é ... Estou muito feliz mesmo, a gente se gosta. Eu gosto de estar com ele e acho que ele gosta de ficar comigo. Estou nas nuvens..." Estava nas nuvens. Amava e era amada, tinha o melhor namorado do mundo, o mais divertido, o mais carinhoso. Depois de tantos anos (catorze, hehehe) sozinha, finalmente encontrara sua alma gêmea! Estavam perdidamente apaixonados...

História bonita, né? Não, gente! Esse príncipe é furada! Ele pegou as duas amigas, ele não presta! Bom, continuando...
Um mês depois, ela chegava na escola, dia de prova importante. No intervalo seu namorado aparece (eles estudavam na mesma escola, mas em horários diferentes). Ele está confuso. Ele quer um tempo. (até ontem tava tudo bem). Pra ela, o mundo parece ficar mais escuro. O coração acelera, as lágrimas são inevitáveis. Volta pra sala e faz sua prova (a maior nota de Biologia, ae). Saindo da prova, encontra as amigas, que olham pra ela como quem escolhe as palavras pra dar uma notícia ruim. E a notícia era mesmo ruim. No tempo do intervalo, seu namorado havia ficado com aquela que poucas horas antes a estava consolando por causa do "tempo". Foi traição? Bom, a discussão é sempre a mesma, no melhor estilo "we were on a break".

O fato é que o (agora oficialmente ex) namorado já havia ido embora, mas a suposta amiga ainda estava no colégio. Então a nossa heroína, a pessoa mais calma, pacífica (e molenga) desse mundo, teve um acesso de fúria. Esperou a outra sair e armou um barraco completo, com direito a sair correndo atrás dela, a ser segurada pela turma do "deixa-disso" e tudo mais.

Anos mais tarde de ocorrido o barraco - que acabou em conversa e não em pancadaria, para decepção dos transeuntes que pararam pra assistir -, caiu a ficha: ele havia feito com ela o mesmo que fez com a primeira amiga.

Mas naquele tempo ela não via as coisas dessa maneira. Ela era uma grande vítima da inveja do mundo, da canalhice dos homens, da falsidade das mulheres. Curtiu fossa, foi consolada pelas amigas, chorava na escola sem motivo ao ver que o ex continuava - e bem - a vida sem ela. Se apegou a tudo que lhe permitia estar mais perto dele - principalmente aos amigos em comum, que na verdade eram amigos dele e que agora ela faria de quase tudo pra que fossem dela também. Depois de um tempo, a raiva deu lugar à carência, e, tentando reencontrar naquele cafajeste o que havia sobrado do seu antigo namorado apaixonado, ela se perdeu. Encontrou-se com um seu lado sombrio que ela não conhecia. Descobriu que podia trair, dissimular,  '"pegar sem se apegar", manipular. Aquela paixão e aquela fossa mal curadas despertaram o que de pior havia nela.
Mas essa é outra história.

***

No fim dessa história começava uma nova etapa da vida da nossa heroína. Sua vida se dividia em antes e depois dessa paixonite. Se antes ela gostava em silêncio, agora estava apaixonada, um amor que precisava se declarar, chamar atenção. A adolescência é o jardim dessas paixões que causam reviravolta, que distorcem a percepção da realidade, que são avassaladoras, que são urgentes, que, apesar de tão pueris e infundadas, parecem eternas. 
Se você está vivendo uma dessas, querida leitora, se jogue de cabeça, mas eu já vou avisando: vai passar. Se você viveu uma dessas e agora está se lembrando com vergonha das coisas absurdas que fez por essa paixão, eu te digo: chegou o tempo de rir disso tudo! Se você está se recuperando de uma dessas paixões que ultrapassou o tempo da adolescência, um conselho: se recupere bem! cure esse mal bem curado! Vá curtir a fossa que tiver que curtir, chorar no ombro de quem tiver que chorar. E depois ponha um ponto final nessa história, pra ser livre novamente. Uma paixonite dessa mal pode te impedir de conhecer seu futuro príncipe de verdade...

Termino esse post com um poeminha (cafoninha e com o tema mais que batido) do diário da nossa heroína:

O que será?

Se não é amor...
por que me lembro de ti a toda hora e qual a
razão de ficar triste ao te ver longe de mim? 
se não é amor...
por que a toda recordo seus olhos, seu sorriso
e seu modo de falar?
se não é amor...
então por que a todo instante te vejo em minha mente, 
e nas minhas recordações está sempre presente?
se não é amor...
por que essa vontade louca de te querer? e por 
que essa certeza de que jamais te esquecerei?
se não é amor... o que será?

Update: não era amor.

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"sobre meninos e livros" ou "o discurso do fim"

>> terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


igualdade? é pelas diferenças que nos lembraremos uns dos outros. e a lembrança é tudo num tempo em que o agora dura cada vez menos. se não sabemos o que há do outro lado do véu, uma coisa é certa: enquanto formos lembrados aqui, há vida, e vida que vale a pena. igualdade, que nada, faz-se de tudo para ser diferente, e, mais difícil ainda, para ser diferente de todo mundo que já é diferente. seja pela preferência por um inseto, pela cor do cabelo [ou parte dele], pela semelhança com um personagem da literatura, por ser 'bicho de praia' nessa terra seca, pela convicção religiosa, ou ainda, por uma cor [ou será fruta?]... seremos sempre lembrados, meus caros amigos. Somos os futuros Imortais, da Academia ou não, somos nós os que vão escrever, e revisar, e corrigir, e ensinar a história, mas não só ela, também a Geografia, a Matemática, e as Ciências...
igualdade? não, amigos, imortalidade é o que vamos escolher.

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