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[VENDIDO] - Uma teoria sobre relacionamentos

>> quinta-feira, 14 de março de 2013

Todo mundo já viu aquelas propagandas (irritantes) de MEGA SALDÃO DAS CASAS BAHIA - É ISSO MESMO - SÓ AMANHÃ - MEGA SALDÃO DAS CASAS BAHIA (fundo preto, um texto esmagando o outro, explosões, letra amarela e vermelha etc etc).

No dia seguinte as reportagens dos jornais matinais mostram aquelas filas enormes do povo que madrugou pra conseguir comprar uma tv-lcd-de-plasma-de-sessenta-polegadas por apenas [APENAS!] sei lá, dois mil reais.

Nesse momento, assim que as portas são abertas, não há tempo a perder: é ver o preço do produto, decidir em cinco segundos se quer ou não, e colar seu adesivo de [VENDIDO] naquela televisão dos sonhos que finalmente está num preço acessível pra você. É ela, é sua, saiam todos, não tem pra ninguém, você viu primeiro, agora é só passar no caixa e levar.

***

Pois os namoros são bem parecidos com os mega saldões das Casas Bahia!

***

Sou aquela amiga chata que deixa os casais constrangidos perguntando "e o casamento, é pra quando?"

A resposta geralmente é um riso sem graça e algo como "calma, a gente é muito novo, calma, ela ainda tem que se formar, calma, ele quer passar num concurso, calma, tem que juntar dinheiro, calma blablabla.
Mâs, não é isso que eu estou perguntando. A minha curiosidade é "Mas é com essa pessoa que você vai casar? Você acredita em relacionamentos monogâmicos e mutuamente exclusivos que durem pela vida inteira? Você colocaria um adesivo de [VENDIDO] nele/a? 

***

-Mas aaah, você está reduzindo os complexos relacionamentos amorosos a uma orgia comercial, como você pode blablabla

 Gente, it's all about money! Nossas relações comerciais e humanas são parecidas por demais. Pode aplicar a lei da oferta e da procura no quanto você se esforça pra chamar atenção de alguém, que vai dar certo. (mas esse é um tema pra outro post)

***

Voltando à minha pergunta: colocar um adesivo de vendido no seu namorado não é atribuir um valor a ele. O que eu pergunto é se existe aquele impulso irracional consumista/amoroso de que você quer, deseja, precisa daquela aquela coisa/pessoa  de qualquer jeito, de qualquer modo, de que ela é sua e ninguém pega, de que você não hesitaria um segundo em levá-la pra casa ali, daquele jeito.

O que vem depois, é claro, é o mais difícil: a racionalização, a burocracia, as chateações da operacionalização do negócio de fato. Mas isso tudo só vale a pena se houver aquele impulso de paixão, aquela fagulha de certeza de que "é ele". "É ela". 

***
Conhecer bem o mundo (ainda) não me fez desacreditar no amor, naquela coisa irracional que faz com que você faça coisas que a lógica não explica. Por isso acho que se você já namora há algum tempo e ainda precisa pensar se colocaria ou não aquele adesivosinho de vendido nela (tou só dando uma olhadinha, qualquer coisa eu volto, tá?), hm... sei não, hein? Acho que você tá acomodado num relacionamento que não vai dar em nada mais sério. (e não for pra ser sério, vamo logo ser solteiro e pegar geral!)

***

E aí o casamento é pra quando? Não pense no financiamento da casa, no preço das flores da decoração. Não pense no seu diploma, nem no concurso que ela ainda quer passar... 

É ela, é sua, saiam todos, não tem pra ninguém, você viu primeiro, agora é só passar no caixa e levar.


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é impossível ser feliz sozinho

>> sexta-feira, 20 de julho de 2012


O ano tem bem uns cinco "dias do amigo", e eu nunca sei qual é o de verdade. Mas digamos que hoje, 20 de julho, seja um dia especial pra nós celebrarmos a presença de pessoas que interferem de forma tão marcante na nossa vida. Então, Feliz do amigo =D

Minhas relações com essa coisa de amizade sempre foram muito apaixonadas. Quando eu criança, os amigos - os "melhores amigos" eram a coisa que eu mais prezava no mundo. Eu sempre fui uma amiga apaixonada, dedicada, sempre quis ser a melhor amiga que alguém pudesse ter. Sempre quis fazer parte "das meninas": "As meninas vão pro cinema amanhã, as meninas já montaram o grupo, as meninas vão dormir na casa de fulana". Mas eu não era "das meninas", era das cdf's. Então eu só participava quando era do interesse "das meninas". E assim eu fui crescendo meio sozinha, no meio dos meninos, bem mais fáceis de lidar, e dos livros, companhias bem mais presentes. 
Depois daquele fatídico dia em que a escola inteira zombou de mim, as coisas mudaram um pouco. Parei de querer fazer parte "das meninas" e fui criar o meu próprio grupo de "meninas". 
Acho que nesse ano, na sétima série, foi a primeira vez que eu me senti segura e confortável entre amigos, sem o sentimento de inferioridade [vindo sabe freud da onde] que sempre me acompanhou nos anos anteriores (e me assombrou nos anos seguintes também).
O fato é que, até entrar na UnB, meus amigos sempre foram feitos na escola. Era onde eu passava a maior parte do meu tempo, era onde toda a minha vida acontecia. Era onde eu mais gostava de estar. A UnB mudou tudo. [Mas isso é assunto para outro post.]

Ter amigos como os que eu tenho hoje é uma das coisas que mais me dão momentos felizes na vida. E eu nunca achei que seria assim. Sempre quis. Desde sempre, sem motivo aparente, eu valorizei muito a amizade na minha vida. Por esperar muito dela, tive grandes decepções e frustrações. Foi só quando parei de cobrar tanto e de oferecer mais, quando eu parei de apostar todas as minhas fichas num "Melhor Amigo", que eu pude ter amizades realmente desinteressadas, leves, livres. 




O "mito" do melhor amigo - a necessidade de ter um, e de ter que acreditar que aquela pessoa, e SÓ aquela pessoa vai e precisa estar presente em todos os momentos da sua vida, sempre pronto pra te ajudar, é uma das coisas mais enganosas e egoístas que a gente aprende na infância. Só quando eu me livrei dele é que pude ser amiga de verdade, não de UMA só pessoa, mas de quem estivesse disposto a se comunicar comigo. Amizade precisa ser compartilhada, multiplicada, elevada à décima potência! Só quando entendi que uma amizade sincera é baseada em franqueza (e não em "vou concordar com você em tudo"), em boas conversas, (e não em "relatórios da vida"), em se sentir confortável com a outra pessoa (e não em cobrança), é que passei a ter bons amigos, antigos e novos, mas, principalmente, muitos! Amizade é sinônimo também de intimidade, que às vezes você demora muito tempo pra conquistar, às vezes não. Às vezes você consegue manter, às vezes não. Mas que você só consegue se estiver aberto. (Na verdade eu sempre estou disposta a abrir as pessoas, caso você precise de uma ajudinha, hahaha)
Hoje em dia eu praticamente coajo as pessoas as serem minhas amigas, porque acredito de verdade que elas sempre podem me mostrar mais do que estão mostrando. Algumas não gostam mesmo e acabam se fechando mais - mas a maioria só estava esperando esse empurrãozinho pra se sentir confortável pra se expor um pouco mais. 

Há amigos pra vida toda, e amigos pra bons momentos - e eu quero todos eles! 

Para os meus caríssimos amigos hoje, digo: preciso de vocês! [Mas não tenham dúvidas de que quando vocês não me quiserem mais, eu vou arranjar novos amigos, porque, fala sério, eu sou muito legal, hahaha]
Gosto sinceramente de vocês, vibro de alegria quando seus planos dão certo, sinto a tristeza de vocês quando eles dão errado. Estou quase sempre pronta pra ouvir e discutir o assunto mais aleatório, suporto os defeitos de vocês com a mesma paciência com que vocês suportam os meus, e com o tempo vou até aprender a gostar deles. Sejam os de muito ou de pouco tempo, os de uma vida ou de uma tarde qualquer: contem comigo! Contem com a minha sincera disposição de amar vocês como vocês são! 

Aos brothers mais especiais, íntimos e gostosos: Obrigada por esse amor, por esse carinho, por essa preocupação com as minhas maluquices e total falta de juízo! Obrigada por compartilharem a vida de vocês comigo, por me deixarem fazer parte dos momentos mais importantes dela! Obrigada por ouvirem minhas novelas, presenciarem meus surtos, entrarem na minha loucura particular! [Vocês sabem quem são vocês, né?] 







Ultimamente sempre tenho ido dormir com a sensação - a certeza - de que tenho os melhores amigos do mundo, dentro e fora de casa. Espero que esse sentimento não vá embora, e que eu possa retribuir esse amor, com mais amor, mais amor, mais amor, mais amor...com amor [porque amizade é só mais um nome pra ele!]



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Em definitivo

>> quarta-feira, 11 de julho de 2012


Esse é o terceiro post diretamente motivado pelo fim do meu namoro.  E também o último. Talvez ele não seja de todo necessário, mas eu preciso desse marco simbólico antes de abandonar as metáforas e as meias palavras, os "leitores" e as "conchinhas". Há tempos quero falar abertamente das minhas novas histórias, da minha nova rotina, das minhas novas experiências. Mas sempre que tentava fazer isso, uma voz aqui dentro me recriminava, me segurava: Calma, ainda não! Vai que...?
Hoje eu calo essa voz. Sim, demorou, porque, clichê dos clichês, pras coisas do coração só mesmo o Tempo. É o tempo que deixa a gente usar com segurança o pretérito perfeito: amei, acabou, sofri, falei, passou; e abandonar de vez os esperançosos subjuntivo do pretérito imperfeito e futuro do pretérito: e se... ( falasse, descobrisse, sentisse),  será que (seria, voltaria, amaria)?
Os nossos tempos verbais falam mais do que a gente conscientemente deixa e deseja.


Nesse post definitivo coloquei os verbos no tempo do fim da relação. 
Vivi todas as fases, que agora - só agora -  relembro sinceramente de coração leve e sem pesar:


  
Been there, done that.
A fossa com sorvete, cortinas fechadas, Adele (nevermind é o caramba!), Chico Buarque (quando você me deixooou..) e Leoni (sim, porque o pé que ele levou da Paula Toller rendeu as músicas de fossa mais fossa da mpb! Pra quem quiser passo as dicas depois!). 
As conversas chorosas com os amigos e o desespero do nunca mais: nunca mais vou amar, nunca mais vou ser amada, nunca mais cinema, nunca mais romance, nunca mais feliz. 
O "não quero te ver nunca mais", que na verdade quer dizer "eu só queria que você me amasse" e o "vamos ser bons amigos", que na verdade quer dizer "tou aqui por perto, se mudasse de ideia". 
A sensação estranha e inesperadamente boa de experimentar outros cheiros, outros beijos, outros abraços. 

Saaaai, biscate!
O ciúme irracional e retroativo de saber que a outra parte também faz isso, e com todo o direito, claro, o que mesmo assim não faz doer menos. 
A vontade de partir a cara da(s) biscate(s), e a força pra  recuperar a lucidez e o autodomínio (proeza que nem todas conseguem, vide caso Yoki). 
O momento doloroso e difícil de explicar pro seu ego e pra sua autoestima que não, você não é inesquecível, irresistível e insubstituível. 

Efetivo!:)
A inesperada confusão de pensar, de ver que está apaixonada de novo (mas como? Mas como? Eu não amava esse?), e de não saber se está mesmo apaixonada de novo, ou se é a mesma paixão de antes apenas realizada em outra pessoa (olha o nível da loucura!). 
A coragem de dar uma última oportunidade pro velho amor antes de se lançar no novo - e nesse "se lançar" admitir pra si mesmo que o novo pode um dia ser velho também, e depois ter outro novo, e outro, e outro. 







A surpresa de ver que enquanto você hesitava e media as palavras e os sentimentos a outra parte já tinha resolvido tudo na cabeça dela e esquecido de te contar.
A ousadia de se deixar levar de novo e sem medo pelo encanto inebriante da expectativa da nova paixão, da nova personalidade a ser aos poucos descoberta, da nova pessoa a fazer parte da sua vida - por pouco ou muito tempo, pra ser ou não feliz, não importa! Importa a alegria, mesmo que pueril ou passageira, que jazia quase esquecida, da novidade, do desconhecido, do inesperado, do vir a ser do tempo futuro. (e nesse quesito tenho ainda a teoria de que essa paixão pode ser igual àquele café usado pra "limpar" o olfato e o paladar durante uma degustação, hahaha. Eu sei, eu sou louca).

E por fim, a última fase, a que eu concluo hoje: a franqueza de falar do que passou sem mágoa, sem rancor, sem vergonha de admitir que sofreu, mas também sem cair na armadilha da memória que quer fazer parecer que só o passado é que foi bom. De falar com saudade, mas sem saudosismo. De conseguir lembrar com carinho, mas sem nostalgia. De enxergar no outro o "outro" que hoje ele é: exterior, independente, fora de mim.
Acho que essa recapitulação sentimental a gente só consegue fazer quando passa pela última fase mesmo. É claro que o processo todo é doído, é confuso, é cheio de ansiedade. Mas (mais um clichê aqui, porque afinal não tem clichê maior que a fossa) sou da teoria que diz que a gente tem mesmo é que passar por todas elas, com muita paixãão, com muita dor de cooorno mesmo, se for o caso, com  muita Adele e "We could've had it all", pra quando passar, passar de verdade, e quem sabe virar uma reflexão honesta pra gente mesmo e direta com quem tem que ser, como a que eu acho que fiz agora.

Com essa humilde vaidade me despeço e despeço do blog essa história, todo esse mimimi de pós-término que vocês - e eu - já cansaram de ler e ouvir, enfim, esse amor. Que foi bom, foi bonito, foi de verdade. Mas é isso, em definitivo, no pretérito perfeito: foi.

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Sobre (re)começos

>> domingo, 1 de julho de 2012

Dou o primeiro passo todo domingo,
todo dia 1º, todo ano novo
e em todos os meus aniversários.
Na nossa forma ocidental (linear) de marcar o tempo nós estamos sempre entre intervalos de começo e fim. Temos vários começos, bem definidos, e criamos todo um apego supersticioso a eles: precisamos dessas pausas definidas para pensarmos, prepararmos, organizarmos um futuro: tudo o que virá depois desse começo. Mas, é claro, apostar tudo num começo só seria muito arriscado. Daí o maior consolo que fracionar o tempo pode nos dar: infinitos recomeços, pontos de partida, chances de planejar e tentar de novo, a depender da nossa ansiedade: assim, pensamos na próxima hora, no próximo mês, no próximo ano ou, até mesmo, para os que nela acreditam, na próxima vida.

Confesso que apesar de admirar teoricamente o tratamento oriental (circular) do tempo, onde fim e começo não existem de maneira concreta, na prática, sou uma grande refém dessas quebras temporais, e da capacidade magnética que elas têm de atrair todas as minhas grandes decisões. Sou do tipo de pessoa que nunca começará um projeto numa quarta-feira, no meio de um mês de maio ou outubro ou às quatro da tarde. O princípio procrastinador que rege a minha vida me leva a jogar tudo para o começo da próxima fração de tempo marcada no calendário ou no relógio.

Número de viagens, de risadas,
de paqueras e de
caracteres na minha dissertação
Por isso, hoje, dia 1° de julho, primeiro dia do primeiro mês do segundo semestre do ano, domingo, primeiro dia da semana, é quase um dia cabalístico para pessoas como eu. Representa um recomeço parcial dentro de uma fração de tempo maior, um ano, e, tal qual fazem os avaliadores de desempenho empresariais, dentro de mim uma equipe avaliadora mostra gráficos e apresentações  de power point que indicam as metas cumpridas, os déficits nos ganhos, a ineficácia das minhas estratégias de marketing e as variações perigosas do mercado. Tudo isso pra me mostrar os caminhos e desafios para cumprir a meta final do ano.

Mas, como vocês devem se lembrar, esse é um ano atípico nas minhas Organizações com metas e expectativas muito reduzidas. Só o que posso avaliar são os resultados do plano (louco) de não ter planos.

Contra todas as previsões dos economistas mais balizados, a avaliação geral é de que o plano de não ter planos deu bons resultados organizacionais. Tudo o que eu teimei em planejar revelou-se como mau investimento, e as coisas mais inusitadas foram de longe as mais lucrativas!

O resultado dessa onda de otimismo é que nesse momento de reavaliar e repensar metas - porque apesar dessa "vibe relax" eu ainda não dispenso (e talvez nunca dispense) meu método e minha maneira quadradinha, cartesiana de pensar na vida - eu encaro com menos medo, e mantenho, a decisão de não planejar os próximos seis meses e ficar à deriva nesse ano apocalíptico com ares de fim de mundo.


Com a aura mística desse "começo do fim" de 2012, faço esse balanço parcial, vejo o peso das coisas que deixei pelo caminho e das quais abri mão (me libertei?) até aqui e penso que se por um lado não posso ter grandes expectativas, por outro também não penso com medo e ansiedade no futuro que na minha linha do tempo começa amanhã.

Vivo bem nesse nosso tempo divididinho e cheio de frações e suspensões atemporais, embora pense que talvez essa não seja a melhor forma de tratar o tempo. 
Mas foi nela que me criei, superestimando datas, aniversários, passagens de ano e grandes acontecimentos em geral em torno dos quais muitas vezes organizei minhas decisões na vida. Sei que os superestimo (o primeiro passo é admitir, o segundo eu nunca dei) e que isso é e foi para mim causa de ansiedades, angústias e, principalmente, de muita procrastinação - sempre deixo as grandes decisões para a próxima data importante. 


Mas na próxima data cabalística, no próximo balanço parcial, enfim, no próximo (re)começo eu lido com isso.

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gostar, um segredo

>> quinta-feira, 26 de maio de 2011

Depois que a ferida da rejeição do primeiro amor platônico é curada, vem a curiosidade dos amores – ou quase amores – correspondidos.

Acontece o primeiro beijo, que é dado numa rodinha de “caí no poço” ou de "verdade ou conseqüência", ou no meio de uma brincadeira de “esconde-esconde”, ou por um vacilo que te deixou desprotegido no “ABB”.  De marcante só teve o fato de ter sido o seu primeiro - porque, convenhamos, os quartos, quintos e sextos foram bem melhores, menos “molhados” e com menos “imprevistos” provocados por dentes demais e prática de menos.

E, pronto, estamos finalmente iniciados nessa arena de batalha da qual não sairemos nunca mais. E aí a gente começa a conhecer um novo significado da palavra gostar.

****

Havia se mudado de volta praquela vizinhança há pouco tempo, mas já tinha um motivo pra não sair da rua no tempo em que não estava na escola: o vizinho da frente. Passava a tarde toda no sol, jogando queimada ou bandeirinha, só pra esperar o momento – a qualquer hora – em que ele sairia pra brincar também. Aquele era o auge do seu dia. Estava gostando dele.

****
Depois de um ano difícil na escola, decidiu-se a fazer novas amizades, na série superior, onde ninguém sabia sua história. Entre aqueles novos amigos alguns anos mais velhos, um, que morava perto da sua casa, e que ela seguia discretamente no caminho pra escola, era para ela especial. Pra passar mais tempo com ele, entrou na sua turma de basquete – logo ela, que odiava esportes -, e aprendeu alguma coisa sobre saxofone, o instrumento que ele tocava. Estava gostando dele.

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Aula de “Projeto de auto estima”. Cada aluno sorteia o nome de outro aluno, pelo qual ficará “responsável”, enviando mensagens que aumentem sua auto-estima. Ela abre seu papelzinho com curiosidade, não havia pensado em quem queria tirar. Seu coração dispara ao ver um “G”. Sim, tirara ele! O motivo dela não faltar mais a nenhuma aula, dela ter se interessado por rock, o motivo dela ter começado a sentar no fundão. Aquele de quem ela não desviava seu olhar bobo e aéreo nem por um momento. Agora a poderia escrever uma mensagem pra ele, justamente pra ele. Estava gostando dele.

***

Saudade dessa fase em que dizer "eu tô gostando dele" definia exatamente tudo o que a língua dos adultos tem tantas palavras pra expressar - amor, paixão, carinho, apreço, afeto, desejo, atração, "querer se conhecer melhor". 
Fase em que essas frases definiam tudo, e tudo era tão simples e sincero quanto essa palavra dita em segredo:
"E aí, você tá gostando dele?"
"Não fala pra ninguém que eu gosto dele!"
"Tô gostando do mesmo menino que a minha amiga!"
"Aquele, tá vendo? aquele ali, é o menino que eu tô gostando."
"Olha pra ela! Ontem ela disse que tá gostando de mim"

Que  palavra de sabor especial! Que poder de sintetizar todo o bem-querer de que somos capazes!
E aqui, o modo do verbo faz toda diferença: eu não só gosto de você, eu estou gostando! um gerúndio que diz: ontem, hoje e amanhã! Um gerúndio que tem em si a eternidade juvenil.
 Quando foi a última vez que você gostou de alguém?

Isso me lembra outro versinho da sabedoria popular infantil (tão tosco
quanto o anterior):

Gosto do
Gostinho
Gostoso de
Gostar de você!

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o primeiro amor (parte 2)

>> terça-feira, 24 de maio de 2011

Falar do amor do outro faz pensar nas nossas memórias, nos nossos desejos, nas nossas frustrações. Deveríamos nos sentir culpados por explorar isso? Hm, não.

Depois da historinha de ontem sobre o primeiro amor dela, trago hoje uma sobre o primeiro amor dele. Meninos também amam aos nove anos de idade!
Ou pelo menos o M. C. amou.

*** 
Foi entre os nove e dez anos de idade (quarta série ou seja lá como se chame hoje em dia).
Eu sempre tive paixões a primeira vista arrebatadores, inclusive antes disso (sim, eu era uma criança precoce e idealizadora). Quando eu cheguei no primeiro dia de aula e vi a garota comecei a tremer e etc. Eu achava que ela era linda (e, de fato, ela era), que eu ia amá-la pra sempre, aquela coisa toda. Só que, como era absurdamente tímido, não tinha coragem nem de conversar com ela. Eu era do tipo que sofria sozinho, dava bandeira que tava gostando e ainda negava quando as pessoas ao redor vinham tirar com minha cara. (oooooouuun)

Acontece que, no decorrer do ano, inventaram um tal de correio dentro da escola, onde bastava primeiro nome, série e turma pra que se pudesse enviar carta a qualquer aluno. Coincidentemente e paralelamente esse foi meu período de maior sucesso com as garotas (nota-se aqui uma vida amorosa meio fail). Várias delas aproveitaram o ensejo pra mandar cartinha se declarando pra mim. (hahaha, garanhão aos nove anos) Se não me engano eram umas seis. Porém, meu coração já estava transbordando de amores pela garota que descrevi incialmente e que sequer me olhava.

Com o passar do tempo e com a aproximação das pessoas da turma, eu acabei conhecendo-a, conversando um pouco com ela e descobri o trauma da minha vida: ela era saidinha (leia-se, piriguete-mirim) e só queria saber dos "mais velhos". Jamais olharia pra mim. Hoje eu rio ao lembrar do tanto que sofri e me maldisse por, simplesmente, ter levado uns três anos a mais do que eu queria (naquela época) pra nascer. Mas, mesmo sabendo que jamais aconteceria nada (até porque eu morria de nervoso com menina, corria de todas que me mandavam cartinha e, provavelmente correria da que eu amava) eu continuei alimentando dentro de mim o que sentia e idealizando.

Houve um episódio fatídico num daqueles eventos escolares que, a professora (que, não sei porque cargas d'água, me adorava, diga-se de passagem) nos vestiu de Colombina e Pierrot para um desfile de carnaval à moda antiga. (...) desfilar de mãos dadas ao lado dela foi um dos momentos mais sublimes da minha (à época, recém-iniciada) vida amorosa.

O trágico final disso tudo foi mais trágico do que eu imaginava. Ela acabou se tornando, no decorrer do ano letivo, uma daquelas garotas populares, que conhecia muita gente pela escola, era bem relacionada com todos da sala, etc. Então, no decorrer do ano, ela foi aos prantos declarar que estava partindo do Distrito Federal pra Campinas/SP. Meu mundo caiu. Demorou meses (aos dez anos de idade, meses me davam a sensação de décadas) pra que eu me recuperasse da grande desilusão amorosa que foi a coisa toda. Tanto que só me apaixonei de novo cerca de três anos depois.
-
Marcelo Castro

***
A história do nosso apaixonado-mirim termina com ele procurando sua colombina na internet para, por um lado, se certificar de que ela não era essa coca cola toda, e, por outro, finalmente descobrir que ela era realmente a mulher da sua vida. Não aconteceu nenhuma coisa nem outra, porque a sua suposta colombina não sabia ao certo se já havia estado com esse pierrot que nos escreve. Mas de dez anos depois, essa é ainda uma das memórias mais marcantes da vida amorosa do nosso amigo! Fofo, né? Não tão depressa...

Quais as lições que essa pequena historinha nos ensina?

Vejamos. Nosso amigo Marcelo deveria ser um super fofinho quando criança (eu com certeza seria uma das seis que escreveram cartinha pra ele). Mas, em vez de olhar pra uma delas, escolher a mais ajeitadinha e ser feliz aceitando o amor de uma mocinha que o adorava, ele preferiu a biscate da Colombina, que já devia estar dando uns amassos atrás da caixa d’água com os meninos da 7ª série enquanto ele tava feliz em segurar na mão dela pra desfilar.

Isso só comprova minha teoria (é, eu tenho várias teorias) de que todos os homens são originalmente legais e bonzinhos, até que vem uma vaca de uma Colombina e os traumatiza, fazendo com que eles achem que nós menininhas somos todas iguais.
Da próxima vez, Sr. Marcelo, peça um conselho pra tia laranjinha e seja feliz ao lado de uma das seis que te mandaram cartinha!
  
Isso me lembra um versinho (meio tosco, é verdade) de sabedoria popular infantil, com o qual termino esse post:

Ama quem te ama,
e não quem te sorri,
pois quem sorri te engana
e quem te ama sofre por ti.

****

P.s.: E vocês, meninas, já tiveram seu dia de colombina na vida de algum rapazinho tímido? Já traumatizaram algum menininho que era inocente até conhecer vocês?
E vocês, meninos, já se apaixonaram por uma biscate dessa que te deixou desiludido com toooodas as mulheres?

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pra não dizer que não falei de amor

>> segunda-feira, 23 de maio de 2011

A pouco mais de duas semanas do dia dos namorados, tô pensando em preparar uma série de posts sobre a temática que mais ocupou letras de músicas e páginas de romances desde que o mundo é mundo: o Amor. Aliás, o “Amor” com letra maiúscula não, mas o amor. Esse amorzinho nosso de cada dia, da minha vida, da sua vida, das inúmeras histórias que eu tenho acompanhado desde a minha (fracassada) primeira experiência como conselheira amorosa.

***

O conceito de “amor” não é universal nem absoluto. É, claro, cultural, e varia. Tristão e Isolda é a grande história de amor que serviu de molde pras que se seguiram: um amor inesperado e  impossível que enfrenta todos os obstáculos e só se realiza plenamente após a morte. (tentador, hein?) Com o passar do tempo, a galera percebeu que esse negócio de ter que morrer pra poder amar era muito dramático e achou que um "e foram felizes para sempre" seria mais apropriado.

O ideal do amor romântico, que ainda era novíssimo, invadiu umas das instituições mais antigas das sociedades – o casamento – e aí todo mundo achou que tinha que se casar, necessariamente, com a pessoa que amava, ou seja, o ideal de felicidade seria aliar prazer,  manutenção da espécie e posição social. Aí surgiram os primeiros psicólogos e livros de autoajuda da humanidade. (true story)

Enfim, o amor romântico entrou de tal forma na cultura ocidental que virou o único tipo de amor verdadeiro, o amor ideal. Hoje, é impossível pr'aquele que foi criado na cultura ocidental não desejar, sequer por um momento, ser a Isolda de algum Tristão e vice-versa (menos a parte de morrer). O nosso amor romântico é tão "propagandeado" que não vê cor nem credo: todos querem amar e ser amados, todos acreditam mesmo que tem esse direito, que é assim que deve ser - que a realidade que for diferente desse ideal é e sempre será a segunda opção. Mudaram até os protagonistas desse amor - se antes eram exclusivamente homem/mulher, agora podemos encontrar as variações homem/homem e mulher/mulher - mas o tipo de amor que se busca é o mesmo. (até quando?)

***

O review histórico foi só pra dizer que as coisas não foram sempre como a gente as conhece, logo, muito provavelmente, elas não serão sempre assim, mas, por enquanto é isso aí: o amor romântico domina as paradas de sucesso, os blockbusters do cinema, o horário nobre na TV, os nossos sonhos de mocinha e os powerpoints que a gente recebe por email. É ele o paradigma – contra ou favor, acreditando ou não, é em relação a ele que você tem que se posicionar, do qual você pode até falar mal, mas que é impossível simplesmente ignorar.


Já que não tem pra onde fugir, convido vocês a acompanharem os próximos posts com as minhas histórias inventadas, as que eu roubei dos meus amigos, e as minhas próprias (ninguém precisa saber qual é qual, meu amigo, por favor, não se entregue nos comentários). São histórias sobre como a gente idealiza esse Amor e o quanto essa idealização afeta a nossa realidade tão distante dos príncipes e princesas da Idade Média, e sobre como as segundas opções - as alternativas a esse amor ideal, os amores possíveis, são muito mais divertidos.



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(Em que abro um parêntese)

>> quarta-feira, 28 de abril de 2010

Apanhei uma página solta do diário dela que brincava com o vento antes de ser agarrada por minhas curiosas mãos. Ela dizia:


***

Há tempos tenho acompanhado de perto os relacionamentos amorosos de amigos - e não tão amigos assim, e os meus próprios, que faço questão de registrar aqui para revisitá-los quando se tornarem passado. Cada história poderia ser matéria de um romance inteirinho, se alguém se dispusesse a escrevê-los. Ora, não sou dada a escrever romances, coisa já velha e em desuso no nosso tempo, mas também não deixo inteiramente de lado as reflexionices características dos ociosos. Vamos a elas.
No que mais penso, é nisso: como se prolongam por tanto tempo histórias que, não fossem pelo fato de existirem, não existiriam? Concluo que é por puro hábito que algumas pessoas continuam se suportando, depois de passado o encantamento da novidade do começo de namoro, sem que tenha sido construído nenhum sentimento de admiração mútua que o substituísse.
Enganam-se os que acreditam ser o amor a argamassa dos namoros e namoricos: insisto que o que os mantém é o hábito, o costume, o fastio que a ideia de mudança e ruptura causa nos espíritos médios.

Formulada essa hipótese, vejo que ela talvez estenda-se às demais relações entre pessoas que são características da vivência humana.... talvez não... e se...?

Mas voltemos aos namoros e namoricos. Melhor, voltemos às reflexionices.

"Sendo o amor idealizado apenas e tão somente isto - uma ideia, o que será mais proveitoso: um sonho perfeito ou uma realidade repleta de pequenas e insistentes fissuras? O senso comum condena devaneios e ilusões, eu por cá não dou a questão por respondida..."

"Se te pergunto 'Por que tu o amas?' e me repondes 'por que ele é bom pra mim', o que devo eu pensar? Que esse é o único motivo, afinal, pelo qual se ama alguém, que tu és egoísta e o teu amor serve às conveniências? Se, por outro lado, tu o amas mesmo que ele seja um traste, que devo eu pensar? Que és uma tola que não ama a si própria, que perdes tua vida em função de um inútil,? Ora, se ele é bom e tu o amas, pensa só no que é bom para si, se ele é bom e tu não o amas, estás desprezando a felicidade. Se ele é mau e tu o amas, és uma tola que se desgasta em um amor infértil, se ele é mau e não o amas, és uma impaciente, uma egoísta que só pensa na tua própria felicidade."

Colocadas estas questões, no que consiste, então, o Amor? é definível? é racional? é escolhido? 
Se o podemos controlar, então não é forte o suficiente, não se trata do Verdadeiro Amor; se não o controlamos, é passageira e ardente paixão, também aí não estamos tratando do Verdeiro Amor.

Oh, não, espere! Do que estou eu a falar? Isto tudo são bobagens, creio que já ter achado a resposta há tempos! A verdade é 

***

E então acabava aquela solitária página. E nós ficamos aqui sem saber, talvez nunca saibamos. A minha sugestão é: escreva você também as suas reflexionices. Quem sabe elas não cheguem por acaso aos blogs do  futuro também?

Fecho parêntese.

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Meninas Malvadas

>> sexta-feira, 9 de abril de 2010

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11/04/2001, em uma classe qualquer de 6ª série.


“11 anos de idade e ainda não consigo ser minimamente popular na escola – ou em qualquer lugar. É o fim do mundo! Chega!”
Foi com esse pensamento seguido de decisão que Bianca se aproximou da rodinha da May, abelha-rainha da turma, e escutou a conversa:
- Você está gostando dele, amiga?
- Ah, não sei, Jô! Acho que sim... Ele é gatinho, né? Só tenho que fazer ele saber que eu tô a fim dele! Você podia falar com os meninos e...
- Nem começa, May! Eu nem falo direito com os amigos do Dudu e...
Bianca não teve dúvidas, aquela era a sua chance! Seu caminho rumo ao reconhecimento e à popularidade começava a ser trilhado. Os anos que passara cultivando a amizade dos meninos – e sendo vista por eles como um – serviriam para alguma coisa. Não hesitou em entrar na conversa. “Oi, meninas!", disse, com naturalidade ensaiada na frente do espelho - Vocês estão falando do Dudu? O Carlos Eduardo da sétima? Eu sou amiga dele!
Passados o estranhamento que aquela intromissão repentina da nerd na conversa causou e o pensamento “ela é amiga de um menino?”, May e Jô continuaram a conversa como se aquela fosse uma situação normal. Depois de verificado que a intrometida poderia, afinal, ser útil, terminaram a conversa como amigas de infância, com tudo combinado para que Bianca falasse com o Dudu no dia seguinte.
E foi com dedicação que o fez, destacando as qualidades da agora sua amiga May, que tinha olhos verde-mel, longos cabelos cacheados e uma voz anasalada que o seu talento para descrições fez parecer sexy. Tudo ia bem. Bianca agora não ficava folheando livros didáticos nos intervalos, mas desfilava de braço dado com May e as meninas. 
O encontro entre May e Dudu atrás da caixa d’água já estava combinado, e Bianca nem se lembrava mais da última vez que fora chamada de Bianca, pois suas novas amigas a chamavam carinhosamente de Bia, quando a inocente desconfiança infanto-juvenil colocou uma pulga atrás da orelha de Jô.
Um dia, sem entender por que Bia ainda falava com Dudu mesmo depois de ter terminado o seu trabalho como cupido, Jô só pode chegar a uma conclusão: ela estava apaixonada por ele! É claro! Uma nerd, andando com as populares, começou a ser reparada na escola, pensou que pudesse ser igual a elas e achou, tadinha, que pudesse concorrer com a May e roubar o Dudu! Como as meninas não viram isso antes? Como o Dudu não viu que ela estava se passando por amiga dele pra dar o bote a qualquer momento?
No dia seguinte, Bianca reparou que as coisas haviam mudado – ou melhor, voltado a ser como eram antes. Chegou na classe e ninguém havia guardado o seu lugar perto das meninas, na hora do intervalo, as meninas não a esperaram pra comprar o lanche, ninguém a convidou pra jogar Banco Imobiliário depois das aulas. Nem pode ir andando pra casa com o Dudu, como sempre fazia, por que a Jô – que antes não falava com meninos – antecipou o encontro dele e da May atrás da caixa d’água pr'aquele dia.
Agora não só era ignorada, como era ignorada intencionalmente.


Estava sozinha de novo e a sua primeira experiência como Conselheira Amorosa foi um fracasso.

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