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depois daquela paixão...

>> quinta-feira, 2 de junho de 2011

Na último post, vimos uma história que começou na fase confusa da adolescência mas terminou bem - hoje os dois são adultos e felizes. Mas a adolescência é também a fase em que um grande amor pode mudar tudo, tamanho o poder que ele pode ter ao ser alimentado pelo sentimento de desespero e urgência do adolescente. Quem nunca teve um amor assim?

Na história de hoje, duas amigas também se interessam pelo mesmo príncipe - mas dessa vez elas não tiram no palitinho a sorte pra ver quem "chega" primeiro. A mais esperta chegou e pegou - é, eu tenho que corrigir, essa não é uma história bonitinha, é uma história de pegação mesmo. Mas, essa primeira amiga foi também um erro de percurso (e mais tarde acabou descobrindo que não era bem de príncipes que ela gostava).

***
Noite de lua cheia, festa da igreja, barraquinhas, uma banda brega de forró qualquer, e os novos amigos, e os amigos antigos dos novos amigos. Entre eles, ele. Nunca haviam se visto, mas era como se naquele momento ela soubesse que estava diante daquele que mudaria sua vida. E não estava errada. Infelizmente, enquanto estava perdida nesses pensamentos, sua amiga, mais esperta, já estava com tudo esquematizado pra "ficar" com o seu recém-descoberto príncipe encantado. E assim foi. Enquanto os dois iam para um lugar remoto da festinha, ela tentava disfarçar seu ciúme - ciúme absurdo, acabara de conhecer o Fulano! Mas foi pra casa com esse ciúme, que não sabia explicar de que parte sombria de sua personalidade havia surgido.

Dias depois, agora sem a amiga usurpadora, ela reencontrou seu príncipe na casa de uma das amigas em comum. Era sua chance de mostrar que ele havia escolhido a menina errada naquela festa. E deu certo. ele encerrou o "lance" com a outra e três dias depois começava o "lance" dos dois. Uma semana depois o lance virou namoro e foi pras páginas do diário dela: "Estou namorando. O nome dele é ... Estou muito feliz mesmo, a gente se gosta. Eu gosto de estar com ele e acho que ele gosta de ficar comigo. Estou nas nuvens..." Estava nas nuvens. Amava e era amada, tinha o melhor namorado do mundo, o mais divertido, o mais carinhoso. Depois de tantos anos (catorze, hehehe) sozinha, finalmente encontrara sua alma gêmea! Estavam perdidamente apaixonados...

História bonita, né? Não, gente! Esse príncipe é furada! Ele pegou as duas amigas, ele não presta! Bom, continuando...
Um mês depois, ela chegava na escola, dia de prova importante. No intervalo seu namorado aparece (eles estudavam na mesma escola, mas em horários diferentes). Ele está confuso. Ele quer um tempo. (até ontem tava tudo bem). Pra ela, o mundo parece ficar mais escuro. O coração acelera, as lágrimas são inevitáveis. Volta pra sala e faz sua prova (a maior nota de Biologia, ae). Saindo da prova, encontra as amigas, que olham pra ela como quem escolhe as palavras pra dar uma notícia ruim. E a notícia era mesmo ruim. No tempo do intervalo, seu namorado havia ficado com aquela que poucas horas antes a estava consolando por causa do "tempo". Foi traição? Bom, a discussão é sempre a mesma, no melhor estilo "we were on a break".

O fato é que o (agora oficialmente ex) namorado já havia ido embora, mas a suposta amiga ainda estava no colégio. Então a nossa heroína, a pessoa mais calma, pacífica (e molenga) desse mundo, teve um acesso de fúria. Esperou a outra sair e armou um barraco completo, com direito a sair correndo atrás dela, a ser segurada pela turma do "deixa-disso" e tudo mais.

Anos mais tarde de ocorrido o barraco - que acabou em conversa e não em pancadaria, para decepção dos transeuntes que pararam pra assistir -, caiu a ficha: ele havia feito com ela o mesmo que fez com a primeira amiga.

Mas naquele tempo ela não via as coisas dessa maneira. Ela era uma grande vítima da inveja do mundo, da canalhice dos homens, da falsidade das mulheres. Curtiu fossa, foi consolada pelas amigas, chorava na escola sem motivo ao ver que o ex continuava - e bem - a vida sem ela. Se apegou a tudo que lhe permitia estar mais perto dele - principalmente aos amigos em comum, que na verdade eram amigos dele e que agora ela faria de quase tudo pra que fossem dela também. Depois de um tempo, a raiva deu lugar à carência, e, tentando reencontrar naquele cafajeste o que havia sobrado do seu antigo namorado apaixonado, ela se perdeu. Encontrou-se com um seu lado sombrio que ela não conhecia. Descobriu que podia trair, dissimular,  '"pegar sem se apegar", manipular. Aquela paixão e aquela fossa mal curadas despertaram o que de pior havia nela.
Mas essa é outra história.

***

No fim dessa história começava uma nova etapa da vida da nossa heroína. Sua vida se dividia em antes e depois dessa paixonite. Se antes ela gostava em silêncio, agora estava apaixonada, um amor que precisava se declarar, chamar atenção. A adolescência é o jardim dessas paixões que causam reviravolta, que distorcem a percepção da realidade, que são avassaladoras, que são urgentes, que, apesar de tão pueris e infundadas, parecem eternas. 
Se você está vivendo uma dessas, querida leitora, se jogue de cabeça, mas eu já vou avisando: vai passar. Se você viveu uma dessas e agora está se lembrando com vergonha das coisas absurdas que fez por essa paixão, eu te digo: chegou o tempo de rir disso tudo! Se você está se recuperando de uma dessas paixões que ultrapassou o tempo da adolescência, um conselho: se recupere bem! cure esse mal bem curado! Vá curtir a fossa que tiver que curtir, chorar no ombro de quem tiver que chorar. E depois ponha um ponto final nessa história, pra ser livre novamente. Uma paixonite dessa mal pode te impedir de conhecer seu futuro príncipe de verdade...

Termino esse post com um poeminha (cafoninha e com o tema mais que batido) do diário da nossa heroína:

O que será?

Se não é amor...
por que me lembro de ti a toda hora e qual a
razão de ficar triste ao te ver longe de mim? 
se não é amor...
por que a toda recordo seus olhos, seu sorriso
e seu modo de falar?
se não é amor...
então por que a todo instante te vejo em minha mente, 
e nas minhas recordações está sempre presente?
se não é amor...
por que essa vontade louca de te querer? e por 
que essa certeza de que jamais te esquecerei?
se não é amor... o que será?

Update: não era amor.

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Quando o amigo do Príncipe Encantado é mais legal

>> terça-feira, 31 de maio de 2011

De repente, gostar já não diz tudo. É preciso amar, apaixonar-se, entregar-se por inteiro a um sentimento que devora e consome. De repente, somos adolescentes.
Mas, pra falar das paixões arrebatadoras da adolescência, trouxe a história de uma que começou com um triângulo amoroso e, bem... é melhor deixar a própria @VampiraPandini contar:

***
Ah, a adolescência. Uma época maravilhosa de descobrimentos, alegrias, tristezas e muitas burradas. Explosões de hormônios e querer provar do mundo de tudo em pouco tempo acaba fazendo com que a gente se meta em muito mais encrencas do que acertos.
Nessa história eu cometi um erro que faz jus ao ditado "Deus escreve certo por linhas tortas" Depois de um longo namoro de 3 anos pela internet (dos 13 aos 16), onde eu só via meu namorado de 6 em 6 meses (quando muito!) e ainda assim era muito inocente, resolvi conhecer novas pessoas e, quem sabe, conseguir meu príncipe encantado. Eu fui em um desses eventos de desenho animado japonês e conheci duas pessoas na fila para a compra do ingresso, um loiro e um negro de cabelos cacheados. Um deles, o de cabelos cacheados, me chamou para ir ao cinema e eu, sem nenhum juízo na cabeça, aceitei.
Depois de sair com eles, reparo que o Loiro (sempre o menino loiro), estava me dando uma atenção redobrada e pediu pra sair novamente. Eu, obviamente no meu juízo, aceitei de novo! XD Então reparo que estamos ficando e, ah, ele era mó gatinho mesmo! Achei que não ia dar problemas futuros e que meu príncipe seria como num conto de fadas.
Mas claro que na vida nem tudo é fácil assim. Em menos de 4 meses de namoro, descubro que o Loiro vai ter que se mudar e não havia nada que podíamos fazer. Resolvemos continuar o namoro (erro 1) e tentar por distância (eu já falei que isso foi meu maior erro?). E claro, eu continuei a vida. Mas então, saindo com os amigos dele, reparo mais do que queria, ou deveria, naquele negro (lembram dele? O que me chamou pra ir ao cinema?) com seus cabelos bem curtinhos sem deixar os cachos a mostra e que dançava BEM PRA CARAMBA NA MÁQUINA DE PUMP.

Reparei que meu coração batia mais forte e que eu estava para fazer uma besteira. E, pra piorar, ele não deixou passar isso e resolveu ficar comigo! E como se não bastasse isso ele acabou se mostrando todo romântico, vinha me pegar no colégio, trazia presentes, se ajoelhava falando que me amava. Eu vi que não resistia mais e resolvi acabar com o Loiro. Claro que não foi nada fácil para nenhum dos envolvidos (especialmente o Loiro que estava sozinho numa cidade do interior de Minas Gerais). Eu mesma fiquei confusa vários dias me perguntando se eu tinha agido corretamente ou se era só mais uma vontade passageira de ficar com alguém.
Bem, após OITO anos juntos com meu cavaleiro negro de cabelos cacheados acho que realmente fiz a escolha certa. 
Ah, o Loiro? Bom, depois de quase um ano do ocorrido, passamos a nos falar novamente. E não é que descobri nele um amigo em quem confiar? Hoje em dia nós conversamos sobre tudo e ajudamos um ao outro! Sei que é muito difícil manter contato com o ex, mas acabou que o transformei num grande amigo. Lições que eu tiro disso:
*Eu gosto mais de caras que sabem dançar.
**Não guarde mágoas e aprenda a superar.
***Se você quer conquistar uma meninas, o clássico sempre funciona.

***
Que história bonitinha! Mas como vocês já devem ter percebido, eu não gosto só do lado bonitinho das coisas.
Primeiro, namorar três anos à distância é se apaixonar por uma promessa, por um ideal. O amor adolescente vive de toque, de cheiro, de sensação, é verdade, mais pode sobreviver muito tempo de lembrança (quando o outro estava aqui) e de expectativa (quando o outro vai estar aqui). Esse amor vive de imagens - do passado ou do futuro - e tem a seu favor a vantagem de não ser enfraquecido pelo desgaste da convivência. É o amor da Princesa que tem UMA noite linda com o Príncipe e vive na lembrança dela e na expectativa da próxima que, acredita, será tão linda quanto a primeira. (aí eles se casam e vem o cotidiano e acaba com o conto de fadas).
Mas nossa amiga Michele não caiu nessa e foi procurar algo mais real.
Acabou se envolvendo num triângulo amoroso - que, se fosse num romance ou numa tragédia teria terminado invariavelmente em traição e morte - mas no caso dela ninguém morreu. Mas foi traído. (Que o diga o loirinho que perdeu a namorada e o amigo, fura-olho, diga-se de passagem, de uma só vez)
Mas, afinal, quando os dois amigos se interessam ao mesmo tempo pela mesma pessoa, como resolver? Tirando a sorte no palitinho?
Essa pergunta me lembra uma série de outras histórias juvenis!
Aguardem cenas do próximo capítulo!
Mas já podemos adiantar que, no caso da nossa amiga Michele que está há oito anos com seu Cavaleiro, o loirinho foi só um erro de percurso. Ele deve ter trapaceado no palitinho.

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gostar, um segredo

>> quinta-feira, 26 de maio de 2011

Depois que a ferida da rejeição do primeiro amor platônico é curada, vem a curiosidade dos amores – ou quase amores – correspondidos.

Acontece o primeiro beijo, que é dado numa rodinha de “caí no poço” ou de "verdade ou conseqüência", ou no meio de uma brincadeira de “esconde-esconde”, ou por um vacilo que te deixou desprotegido no “ABB”.  De marcante só teve o fato de ter sido o seu primeiro - porque, convenhamos, os quartos, quintos e sextos foram bem melhores, menos “molhados” e com menos “imprevistos” provocados por dentes demais e prática de menos.

E, pronto, estamos finalmente iniciados nessa arena de batalha da qual não sairemos nunca mais. E aí a gente começa a conhecer um novo significado da palavra gostar.

****

Havia se mudado de volta praquela vizinhança há pouco tempo, mas já tinha um motivo pra não sair da rua no tempo em que não estava na escola: o vizinho da frente. Passava a tarde toda no sol, jogando queimada ou bandeirinha, só pra esperar o momento – a qualquer hora – em que ele sairia pra brincar também. Aquele era o auge do seu dia. Estava gostando dele.

****
Depois de um ano difícil na escola, decidiu-se a fazer novas amizades, na série superior, onde ninguém sabia sua história. Entre aqueles novos amigos alguns anos mais velhos, um, que morava perto da sua casa, e que ela seguia discretamente no caminho pra escola, era para ela especial. Pra passar mais tempo com ele, entrou na sua turma de basquete – logo ela, que odiava esportes -, e aprendeu alguma coisa sobre saxofone, o instrumento que ele tocava. Estava gostando dele.

****                                                              
Aula de “Projeto de auto estima”. Cada aluno sorteia o nome de outro aluno, pelo qual ficará “responsável”, enviando mensagens que aumentem sua auto-estima. Ela abre seu papelzinho com curiosidade, não havia pensado em quem queria tirar. Seu coração dispara ao ver um “G”. Sim, tirara ele! O motivo dela não faltar mais a nenhuma aula, dela ter se interessado por rock, o motivo dela ter começado a sentar no fundão. Aquele de quem ela não desviava seu olhar bobo e aéreo nem por um momento. Agora a poderia escrever uma mensagem pra ele, justamente pra ele. Estava gostando dele.

***

Saudade dessa fase em que dizer "eu tô gostando dele" definia exatamente tudo o que a língua dos adultos tem tantas palavras pra expressar - amor, paixão, carinho, apreço, afeto, desejo, atração, "querer se conhecer melhor". 
Fase em que essas frases definiam tudo, e tudo era tão simples e sincero quanto essa palavra dita em segredo:
"E aí, você tá gostando dele?"
"Não fala pra ninguém que eu gosto dele!"
"Tô gostando do mesmo menino que a minha amiga!"
"Aquele, tá vendo? aquele ali, é o menino que eu tô gostando."
"Olha pra ela! Ontem ela disse que tá gostando de mim"

Que  palavra de sabor especial! Que poder de sintetizar todo o bem-querer de que somos capazes!
E aqui, o modo do verbo faz toda diferença: eu não só gosto de você, eu estou gostando! um gerúndio que diz: ontem, hoje e amanhã! Um gerúndio que tem em si a eternidade juvenil.
 Quando foi a última vez que você gostou de alguém?

Isso me lembra outro versinho da sabedoria popular infantil (tão tosco
quanto o anterior):

Gosto do
Gostinho
Gostoso de
Gostar de você!

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o primeiro amor (parte 2)

>> terça-feira, 24 de maio de 2011

Falar do amor do outro faz pensar nas nossas memórias, nos nossos desejos, nas nossas frustrações. Deveríamos nos sentir culpados por explorar isso? Hm, não.

Depois da historinha de ontem sobre o primeiro amor dela, trago hoje uma sobre o primeiro amor dele. Meninos também amam aos nove anos de idade!
Ou pelo menos o M. C. amou.

*** 
Foi entre os nove e dez anos de idade (quarta série ou seja lá como se chame hoje em dia).
Eu sempre tive paixões a primeira vista arrebatadores, inclusive antes disso (sim, eu era uma criança precoce e idealizadora). Quando eu cheguei no primeiro dia de aula e vi a garota comecei a tremer e etc. Eu achava que ela era linda (e, de fato, ela era), que eu ia amá-la pra sempre, aquela coisa toda. Só que, como era absurdamente tímido, não tinha coragem nem de conversar com ela. Eu era do tipo que sofria sozinho, dava bandeira que tava gostando e ainda negava quando as pessoas ao redor vinham tirar com minha cara. (oooooouuun)

Acontece que, no decorrer do ano, inventaram um tal de correio dentro da escola, onde bastava primeiro nome, série e turma pra que se pudesse enviar carta a qualquer aluno. Coincidentemente e paralelamente esse foi meu período de maior sucesso com as garotas (nota-se aqui uma vida amorosa meio fail). Várias delas aproveitaram o ensejo pra mandar cartinha se declarando pra mim. (hahaha, garanhão aos nove anos) Se não me engano eram umas seis. Porém, meu coração já estava transbordando de amores pela garota que descrevi incialmente e que sequer me olhava.

Com o passar do tempo e com a aproximação das pessoas da turma, eu acabei conhecendo-a, conversando um pouco com ela e descobri o trauma da minha vida: ela era saidinha (leia-se, piriguete-mirim) e só queria saber dos "mais velhos". Jamais olharia pra mim. Hoje eu rio ao lembrar do tanto que sofri e me maldisse por, simplesmente, ter levado uns três anos a mais do que eu queria (naquela época) pra nascer. Mas, mesmo sabendo que jamais aconteceria nada (até porque eu morria de nervoso com menina, corria de todas que me mandavam cartinha e, provavelmente correria da que eu amava) eu continuei alimentando dentro de mim o que sentia e idealizando.

Houve um episódio fatídico num daqueles eventos escolares que, a professora (que, não sei porque cargas d'água, me adorava, diga-se de passagem) nos vestiu de Colombina e Pierrot para um desfile de carnaval à moda antiga. (...) desfilar de mãos dadas ao lado dela foi um dos momentos mais sublimes da minha (à época, recém-iniciada) vida amorosa.

O trágico final disso tudo foi mais trágico do que eu imaginava. Ela acabou se tornando, no decorrer do ano letivo, uma daquelas garotas populares, que conhecia muita gente pela escola, era bem relacionada com todos da sala, etc. Então, no decorrer do ano, ela foi aos prantos declarar que estava partindo do Distrito Federal pra Campinas/SP. Meu mundo caiu. Demorou meses (aos dez anos de idade, meses me davam a sensação de décadas) pra que eu me recuperasse da grande desilusão amorosa que foi a coisa toda. Tanto que só me apaixonei de novo cerca de três anos depois.
-
Marcelo Castro

***
A história do nosso apaixonado-mirim termina com ele procurando sua colombina na internet para, por um lado, se certificar de que ela não era essa coca cola toda, e, por outro, finalmente descobrir que ela era realmente a mulher da sua vida. Não aconteceu nenhuma coisa nem outra, porque a sua suposta colombina não sabia ao certo se já havia estado com esse pierrot que nos escreve. Mas de dez anos depois, essa é ainda uma das memórias mais marcantes da vida amorosa do nosso amigo! Fofo, né? Não tão depressa...

Quais as lições que essa pequena historinha nos ensina?

Vejamos. Nosso amigo Marcelo deveria ser um super fofinho quando criança (eu com certeza seria uma das seis que escreveram cartinha pra ele). Mas, em vez de olhar pra uma delas, escolher a mais ajeitadinha e ser feliz aceitando o amor de uma mocinha que o adorava, ele preferiu a biscate da Colombina, que já devia estar dando uns amassos atrás da caixa d’água com os meninos da 7ª série enquanto ele tava feliz em segurar na mão dela pra desfilar.

Isso só comprova minha teoria (é, eu tenho várias teorias) de que todos os homens são originalmente legais e bonzinhos, até que vem uma vaca de uma Colombina e os traumatiza, fazendo com que eles achem que nós menininhas somos todas iguais.
Da próxima vez, Sr. Marcelo, peça um conselho pra tia laranjinha e seja feliz ao lado de uma das seis que te mandaram cartinha!
  
Isso me lembra um versinho (meio tosco, é verdade) de sabedoria popular infantil, com o qual termino esse post:

Ama quem te ama,
e não quem te sorri,
pois quem sorri te engana
e quem te ama sofre por ti.

****

P.s.: E vocês, meninas, já tiveram seu dia de colombina na vida de algum rapazinho tímido? Já traumatizaram algum menininho que era inocente até conhecer vocês?
E vocês, meninos, já se apaixonaram por uma biscate dessa que te deixou desiludido com toooodas as mulheres?

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>> quarta-feira, 17 de junho de 2009


Quantos anos tinha? Onze, doze? Onze pra doze. Era seu segundo ano naquela escola. Tinha os mesmos e poucos amigos da escola anterior. Não gostava deles. Não como se costuma gostar de um amigo. Não os entendia.
Entendia, isso sim, o que escrevia naquele caderno com um retrato de um moço bonito na capa. Ele tinha um sorriso... que sorriso! Como era bonito! A melhor parte dela estava guardada atrás daquele sorriso. Eram suas palavras, seus segredos, o pouco que conhecia da vida. E o muito que julgava saber da pessoas. "Pessoas", pra ela, era todo mundo que conhecia e que não era da sua família. Pessoas eram as outras crianças da escola.
Depois de fazer a lição de casa, sempre registrava atrás daquele sorriso tudo o que sabia da vida das pessoas, como elas eram, o que gostavam de fazer, as mentiras que contavam, os modos como a magoaram. As pessoas eram más, falsas, interesseiras, orgulhosas, bobas. Mas só ela sabia disso. Só ela podia enxergá-las como realmente eram. E escrevia. E as palavras eram a Verdade.

***

Naquele dia, o moço do sorriso bonito, esquecido sozinho em cima de uma mesa, sorriu para uma das pessoas. O sorriso que guardava seus segredos a traiu.

***

Saiu correndo da sala de aula. Não suportaria por mais tempo os olhares, os risinhos, aquela maldita música! Cruéis, cruéis eram as pessoas! Entrou no banheiro. Chorou. Sozinha estava, e sozinha chorou, como se lágrimas molhassem e embotassem a memória, como se lágrimas pudessem apagar a lembrança, abafar a maldita música!, fazê-la esquecer da zombaria... da crueldade! Queria odiá-los, não podia. Ela os amava. Não viam que ela os amava?! Queria ser como eles, mas não podia... não poderia. Descobrira cedo que as palavras eram a Verdade. Ali, o rosto molhado, a cabeça latejando, o peito oprimido pela densidade das vozes, só e sozinha, soube que uma escolha - como odiava escolhas! - deveria ser feita.

Entre pessoas e palavras, preferiu a Verdade. E aquele sorriso não a traiu novamente.

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vida pregressa [1]

>> domingo, 29 de março de 2009

Anjinhos? Tenha medo.


Desde que vi um filme, que eu não lembro o nome, com o Robin Williams, onde o personagem dele foi atormentado a vida toda pela culpa de ter matado acidentalmente um coleguinha - até ver o coleguinha andando pelas ruas anos depois - , que eu desconfio bastante das lembranças que eu tenho de criança.

Essa desconfiança aumenta à medida que eu conto suuper empolgada as coisas que eu lembro pros meus pais e eles dizem que aquilo nunca aconteceu.


Mas uma das lembranças mais antigas e nítidas que eu tenho é a prova de que eu já passei a imagem de menina inocente uma vez na vida.


Gincana de Festa Junina da escola. Prêmio: passeio pro clube.
Ganhamos! Dia do passeio. Todas as menininhas de 8 e 9 anos de biquíni, exibindo o que elas poderiam vir a ser um dia. Todas menos uma. Essa, a única que foi de maiô, está agora afastada das meninas, na rodinha dos meninos, que não estão ligando muito pras meninas de biquíni: estão mais preocupados em ver quem dá a maior barrigada na piscina.

De repente, um garoto gordinho, rosado pelo sol, chega na rodinha dos outros meninos - e da menina de maiô - e cochicha:
- O professor de Ed. Física tá ajudando as meninas a tomar impulso pra nadar pra aproveitar pra passar a mão nelas!

Pela reação dos meninos, o gordinho rosado pelo sol não gozava de muita credibilidade entre a turma. Todos quiseram ver com seus próprios olhos. Foram, com seus óculos de natação, pra parte da piscina onde o professor de Ed. Física - que, a bem da verdade, tinha mesmo uma cara de tarado - estava, desfazendo, assim, a rodinha.

A menina de maiô foi procurar outra rodinha - afinal, por mais que preferisse ficar sozinha, isso pegaria mal pra uma criança de 8 anos no clube num dia ensolarado, com todos os seus amiguinhos pra brincar - e acabou parando na das meninas de biquíni que molhavam só os pés na piscina - e que, alguns anos mais tarde, virariam as meninas que não entram na piscina pra não molhar o cabelo de chapinha.
A noticia do professor tarado chegou nessa roda também, mas foi passado como telefone-sem-fio de ouvido pra ouvido. Quando chegou a vez de passar pra menina de maiô, a ligação foi cortada.
- Me conta, o que é?
- Não! Você ainda é muito inocente pra ouvir essas coisas.

Essa última frase foi dita com um misto de proteção e reprovação no tom das palavras. Menos proteção do que reprovação, é verdade, mas o fato é que a menina de maiô não gostou de passar a impressão de que não entenderia o fato ter um professor de Educação Física tarado com tendências para a pedofilia - principalmente por ter certeza que era a única entre as amigas que sabia o significado da palavra 'pedofilia'.

A partir daquele dia, mostrar pros meus coleguinhas que eu não era tão ingênua quanto eu parecia virou quase uma obsessão. Hoje eu penso que a menina de maiô deveria ter ficado feliz em ser protegida da realidade desse mundo cruel, em vez de querer conhecê-lo mais de perto. Mas não ficou. E, quem sabe, foi a partir daí que começou a reagir a acidez dessa Laranja...

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