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Em definitivo

>> quarta-feira, 11 de julho de 2012


Esse é o terceiro post diretamente motivado pelo fim do meu namoro.  E também o último. Talvez ele não seja de todo necessário, mas eu preciso desse marco simbólico antes de abandonar as metáforas e as meias palavras, os "leitores" e as "conchinhas". Há tempos quero falar abertamente das minhas novas histórias, da minha nova rotina, das minhas novas experiências. Mas sempre que tentava fazer isso, uma voz aqui dentro me recriminava, me segurava: Calma, ainda não! Vai que...?
Hoje eu calo essa voz. Sim, demorou, porque, clichê dos clichês, pras coisas do coração só mesmo o Tempo. É o tempo que deixa a gente usar com segurança o pretérito perfeito: amei, acabou, sofri, falei, passou; e abandonar de vez os esperançosos subjuntivo do pretérito imperfeito e futuro do pretérito: e se... ( falasse, descobrisse, sentisse),  será que (seria, voltaria, amaria)?
Os nossos tempos verbais falam mais do que a gente conscientemente deixa e deseja.


Nesse post definitivo coloquei os verbos no tempo do fim da relação. 
Vivi todas as fases, que agora - só agora -  relembro sinceramente de coração leve e sem pesar:


  
Been there, done that.
A fossa com sorvete, cortinas fechadas, Adele (nevermind é o caramba!), Chico Buarque (quando você me deixooou..) e Leoni (sim, porque o pé que ele levou da Paula Toller rendeu as músicas de fossa mais fossa da mpb! Pra quem quiser passo as dicas depois!). 
As conversas chorosas com os amigos e o desespero do nunca mais: nunca mais vou amar, nunca mais vou ser amada, nunca mais cinema, nunca mais romance, nunca mais feliz. 
O "não quero te ver nunca mais", que na verdade quer dizer "eu só queria que você me amasse" e o "vamos ser bons amigos", que na verdade quer dizer "tou aqui por perto, se mudasse de ideia". 
A sensação estranha e inesperadamente boa de experimentar outros cheiros, outros beijos, outros abraços. 

Saaaai, biscate!
O ciúme irracional e retroativo de saber que a outra parte também faz isso, e com todo o direito, claro, o que mesmo assim não faz doer menos. 
A vontade de partir a cara da(s) biscate(s), e a força pra  recuperar a lucidez e o autodomínio (proeza que nem todas conseguem, vide caso Yoki). 
O momento doloroso e difícil de explicar pro seu ego e pra sua autoestima que não, você não é inesquecível, irresistível e insubstituível. 

Efetivo!:)
A inesperada confusão de pensar, de ver que está apaixonada de novo (mas como? Mas como? Eu não amava esse?), e de não saber se está mesmo apaixonada de novo, ou se é a mesma paixão de antes apenas realizada em outra pessoa (olha o nível da loucura!). 
A coragem de dar uma última oportunidade pro velho amor antes de se lançar no novo - e nesse "se lançar" admitir pra si mesmo que o novo pode um dia ser velho também, e depois ter outro novo, e outro, e outro. 







A surpresa de ver que enquanto você hesitava e media as palavras e os sentimentos a outra parte já tinha resolvido tudo na cabeça dela e esquecido de te contar.
A ousadia de se deixar levar de novo e sem medo pelo encanto inebriante da expectativa da nova paixão, da nova personalidade a ser aos poucos descoberta, da nova pessoa a fazer parte da sua vida - por pouco ou muito tempo, pra ser ou não feliz, não importa! Importa a alegria, mesmo que pueril ou passageira, que jazia quase esquecida, da novidade, do desconhecido, do inesperado, do vir a ser do tempo futuro. (e nesse quesito tenho ainda a teoria de que essa paixão pode ser igual àquele café usado pra "limpar" o olfato e o paladar durante uma degustação, hahaha. Eu sei, eu sou louca).

E por fim, a última fase, a que eu concluo hoje: a franqueza de falar do que passou sem mágoa, sem rancor, sem vergonha de admitir que sofreu, mas também sem cair na armadilha da memória que quer fazer parecer que só o passado é que foi bom. De falar com saudade, mas sem saudosismo. De conseguir lembrar com carinho, mas sem nostalgia. De enxergar no outro o "outro" que hoje ele é: exterior, independente, fora de mim.
Acho que essa recapitulação sentimental a gente só consegue fazer quando passa pela última fase mesmo. É claro que o processo todo é doído, é confuso, é cheio de ansiedade. Mas (mais um clichê aqui, porque afinal não tem clichê maior que a fossa) sou da teoria que diz que a gente tem mesmo é que passar por todas elas, com muita paixãão, com muita dor de cooorno mesmo, se for o caso, com  muita Adele e "We could've had it all", pra quando passar, passar de verdade, e quem sabe virar uma reflexão honesta pra gente mesmo e direta com quem tem que ser, como a que eu acho que fiz agora.

Com essa humilde vaidade me despeço e despeço do blog essa história, todo esse mimimi de pós-término que vocês - e eu - já cansaram de ler e ouvir, enfim, esse amor. Que foi bom, foi bonito, foi de verdade. Mas é isso, em definitivo, no pretérito perfeito: foi.

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Solteiros, sim, sozinhos, também!

>> domingo, 5 de junho de 2011

Eis que começa a pior semana do ano para aqueles que são solteiros - não por opção. 
As tias velhas começam a ladainha: "Tudo bem? E aí, já arranjou um namoradinho? Tá passando da hora, hein..." (Elas sabem disso bem, não querem que você fique encalhadas como elas). Além disso, todos os programas tem quadros especiais de dia dos namorados, todas as vitrines e propagandas são pra eles, e sempre tem aquela balada dos que ostentam o "solteirolândia pride", que na verdade é uma desculpa pra reunir aqueles que tem uma última esperança de não passar essa data "puramente comercial" (anham,  Cláudia, senta lá! Ser comercial no mundo capitalista é muita coisa!) sozinhos.

Feitas essas considerações, eis uma colaboração do grande amigo Marcos para o nosso humilde blog. E me fez pensar: será que o dia dos namorados caiu no inverno de propósito? Só para flagelar o corpo e os corações daqueles que procuram mas ainda não acharam um par - perfeito ou não?
Aumentem o som, enrolem-se em seus cachecóis e aproveitem.

Post de terceiro
por Marcos Nunes

Para ler ouvindo: “Streets of Philadelphia”, do Bruce Springsteen; “Be Alone (No More”, do Another Level; “Quero te Dar” (Gaiola das Popozudas) – Brinks!

Sabe quando você começa a fazer um curso, sei lá... de francês e alguém pede pra você “fala alguma coisa em francês”?, e você manda um “quelque chose” porque você é um troll e não perderia a oportunidade? Pois então, caro leitor (se é que há), essa é a mesma situação deste post. “Faz um post aí”!
Por que nos tornamos cafonas quando está frio?
Fui a um show de country hardcore no sábado (aka Matanza) e, ao sair dele com uma amiga (num frio, digamos, bem revigorante), ao invés de cantarolar Offspring ou Metallica, ou (por que não?) Massacration, a primeira música que me veio à cabeça foi “Back for Good”, do Take That (antiga banda do Robbie Williams). Bárbara não pôde evitar o “nossa, como isso é antigo”! Old, but gold! Em seguida, no “baú do Marcos”, a próxima da playlist da cantoria era “Right Here Waiting”, do Richard Marx.
Sério, quem, em sã consciência (e em tempos de calor), cantaria essas coisas? Acho que ficamos carentes demais quando está frio, daí começamos a revirar aquele mausoléu musical onde não deixamos flores há anos.
Antes o problema fosse somente musical. No frio, queremos abraçar, queremos sentir o calor do corpo de outra pessoa contra o nosso e... Não, peraí, esse trecho é do meu conto erótico, esqueçam!
Mas a situação não consiste somente em querer cantar música brega e abraçar outrem. Que dieta resiste a um chocolate fervendo neste que consideramos frio em Brasília? E lá vêm aqueles quilos que você demorou meses pra perder!
Apesar disso, uma das coisas que mais gosto no frio é o vestuário. Tá, eu sei que é ótimo ver algumas pessoas com menos roupa na rua quando está calor, mas o frio é fashion, indubitavelmente.
Tudo isto, caro leitor, é a mais pura verdade! No frio, queremos cantar música cafona, tomar chocolate quente, abraçar, beijar e sentir que não estamos sozinhos (brega identificado no radar). Se você tem alguém para tal, erga as mãos para o céu (“e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê”)! Se você não tem, aqueça-se no RedTube e vá dormir!

M.

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depois daquela paixão...

>> quinta-feira, 2 de junho de 2011

Na último post, vimos uma história que começou na fase confusa da adolescência mas terminou bem - hoje os dois são adultos e felizes. Mas a adolescência é também a fase em que um grande amor pode mudar tudo, tamanho o poder que ele pode ter ao ser alimentado pelo sentimento de desespero e urgência do adolescente. Quem nunca teve um amor assim?

Na história de hoje, duas amigas também se interessam pelo mesmo príncipe - mas dessa vez elas não tiram no palitinho a sorte pra ver quem "chega" primeiro. A mais esperta chegou e pegou - é, eu tenho que corrigir, essa não é uma história bonitinha, é uma história de pegação mesmo. Mas, essa primeira amiga foi também um erro de percurso (e mais tarde acabou descobrindo que não era bem de príncipes que ela gostava).

***
Noite de lua cheia, festa da igreja, barraquinhas, uma banda brega de forró qualquer, e os novos amigos, e os amigos antigos dos novos amigos. Entre eles, ele. Nunca haviam se visto, mas era como se naquele momento ela soubesse que estava diante daquele que mudaria sua vida. E não estava errada. Infelizmente, enquanto estava perdida nesses pensamentos, sua amiga, mais esperta, já estava com tudo esquematizado pra "ficar" com o seu recém-descoberto príncipe encantado. E assim foi. Enquanto os dois iam para um lugar remoto da festinha, ela tentava disfarçar seu ciúme - ciúme absurdo, acabara de conhecer o Fulano! Mas foi pra casa com esse ciúme, que não sabia explicar de que parte sombria de sua personalidade havia surgido.

Dias depois, agora sem a amiga usurpadora, ela reencontrou seu príncipe na casa de uma das amigas em comum. Era sua chance de mostrar que ele havia escolhido a menina errada naquela festa. E deu certo. ele encerrou o "lance" com a outra e três dias depois começava o "lance" dos dois. Uma semana depois o lance virou namoro e foi pras páginas do diário dela: "Estou namorando. O nome dele é ... Estou muito feliz mesmo, a gente se gosta. Eu gosto de estar com ele e acho que ele gosta de ficar comigo. Estou nas nuvens..." Estava nas nuvens. Amava e era amada, tinha o melhor namorado do mundo, o mais divertido, o mais carinhoso. Depois de tantos anos (catorze, hehehe) sozinha, finalmente encontrara sua alma gêmea! Estavam perdidamente apaixonados...

História bonita, né? Não, gente! Esse príncipe é furada! Ele pegou as duas amigas, ele não presta! Bom, continuando...
Um mês depois, ela chegava na escola, dia de prova importante. No intervalo seu namorado aparece (eles estudavam na mesma escola, mas em horários diferentes). Ele está confuso. Ele quer um tempo. (até ontem tava tudo bem). Pra ela, o mundo parece ficar mais escuro. O coração acelera, as lágrimas são inevitáveis. Volta pra sala e faz sua prova (a maior nota de Biologia, ae). Saindo da prova, encontra as amigas, que olham pra ela como quem escolhe as palavras pra dar uma notícia ruim. E a notícia era mesmo ruim. No tempo do intervalo, seu namorado havia ficado com aquela que poucas horas antes a estava consolando por causa do "tempo". Foi traição? Bom, a discussão é sempre a mesma, no melhor estilo "we were on a break".

O fato é que o (agora oficialmente ex) namorado já havia ido embora, mas a suposta amiga ainda estava no colégio. Então a nossa heroína, a pessoa mais calma, pacífica (e molenga) desse mundo, teve um acesso de fúria. Esperou a outra sair e armou um barraco completo, com direito a sair correndo atrás dela, a ser segurada pela turma do "deixa-disso" e tudo mais.

Anos mais tarde de ocorrido o barraco - que acabou em conversa e não em pancadaria, para decepção dos transeuntes que pararam pra assistir -, caiu a ficha: ele havia feito com ela o mesmo que fez com a primeira amiga.

Mas naquele tempo ela não via as coisas dessa maneira. Ela era uma grande vítima da inveja do mundo, da canalhice dos homens, da falsidade das mulheres. Curtiu fossa, foi consolada pelas amigas, chorava na escola sem motivo ao ver que o ex continuava - e bem - a vida sem ela. Se apegou a tudo que lhe permitia estar mais perto dele - principalmente aos amigos em comum, que na verdade eram amigos dele e que agora ela faria de quase tudo pra que fossem dela também. Depois de um tempo, a raiva deu lugar à carência, e, tentando reencontrar naquele cafajeste o que havia sobrado do seu antigo namorado apaixonado, ela se perdeu. Encontrou-se com um seu lado sombrio que ela não conhecia. Descobriu que podia trair, dissimular,  '"pegar sem se apegar", manipular. Aquela paixão e aquela fossa mal curadas despertaram o que de pior havia nela.
Mas essa é outra história.

***

No fim dessa história começava uma nova etapa da vida da nossa heroína. Sua vida se dividia em antes e depois dessa paixonite. Se antes ela gostava em silêncio, agora estava apaixonada, um amor que precisava se declarar, chamar atenção. A adolescência é o jardim dessas paixões que causam reviravolta, que distorcem a percepção da realidade, que são avassaladoras, que são urgentes, que, apesar de tão pueris e infundadas, parecem eternas. 
Se você está vivendo uma dessas, querida leitora, se jogue de cabeça, mas eu já vou avisando: vai passar. Se você viveu uma dessas e agora está se lembrando com vergonha das coisas absurdas que fez por essa paixão, eu te digo: chegou o tempo de rir disso tudo! Se você está se recuperando de uma dessas paixões que ultrapassou o tempo da adolescência, um conselho: se recupere bem! cure esse mal bem curado! Vá curtir a fossa que tiver que curtir, chorar no ombro de quem tiver que chorar. E depois ponha um ponto final nessa história, pra ser livre novamente. Uma paixonite dessa mal pode te impedir de conhecer seu futuro príncipe de verdade...

Termino esse post com um poeminha (cafoninha e com o tema mais que batido) do diário da nossa heroína:

O que será?

Se não é amor...
por que me lembro de ti a toda hora e qual a
razão de ficar triste ao te ver longe de mim? 
se não é amor...
por que a toda recordo seus olhos, seu sorriso
e seu modo de falar?
se não é amor...
então por que a todo instante te vejo em minha mente, 
e nas minhas recordações está sempre presente?
se não é amor...
por que essa vontade louca de te querer? e por 
que essa certeza de que jamais te esquecerei?
se não é amor... o que será?

Update: não era amor.

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Quando o amigo do Príncipe Encantado é mais legal

>> terça-feira, 31 de maio de 2011

De repente, gostar já não diz tudo. É preciso amar, apaixonar-se, entregar-se por inteiro a um sentimento que devora e consome. De repente, somos adolescentes.
Mas, pra falar das paixões arrebatadoras da adolescência, trouxe a história de uma que começou com um triângulo amoroso e, bem... é melhor deixar a própria @VampiraPandini contar:

***
Ah, a adolescência. Uma época maravilhosa de descobrimentos, alegrias, tristezas e muitas burradas. Explosões de hormônios e querer provar do mundo de tudo em pouco tempo acaba fazendo com que a gente se meta em muito mais encrencas do que acertos.
Nessa história eu cometi um erro que faz jus ao ditado "Deus escreve certo por linhas tortas" Depois de um longo namoro de 3 anos pela internet (dos 13 aos 16), onde eu só via meu namorado de 6 em 6 meses (quando muito!) e ainda assim era muito inocente, resolvi conhecer novas pessoas e, quem sabe, conseguir meu príncipe encantado. Eu fui em um desses eventos de desenho animado japonês e conheci duas pessoas na fila para a compra do ingresso, um loiro e um negro de cabelos cacheados. Um deles, o de cabelos cacheados, me chamou para ir ao cinema e eu, sem nenhum juízo na cabeça, aceitei.
Depois de sair com eles, reparo que o Loiro (sempre o menino loiro), estava me dando uma atenção redobrada e pediu pra sair novamente. Eu, obviamente no meu juízo, aceitei de novo! XD Então reparo que estamos ficando e, ah, ele era mó gatinho mesmo! Achei que não ia dar problemas futuros e que meu príncipe seria como num conto de fadas.
Mas claro que na vida nem tudo é fácil assim. Em menos de 4 meses de namoro, descubro que o Loiro vai ter que se mudar e não havia nada que podíamos fazer. Resolvemos continuar o namoro (erro 1) e tentar por distância (eu já falei que isso foi meu maior erro?). E claro, eu continuei a vida. Mas então, saindo com os amigos dele, reparo mais do que queria, ou deveria, naquele negro (lembram dele? O que me chamou pra ir ao cinema?) com seus cabelos bem curtinhos sem deixar os cachos a mostra e que dançava BEM PRA CARAMBA NA MÁQUINA DE PUMP.

Reparei que meu coração batia mais forte e que eu estava para fazer uma besteira. E, pra piorar, ele não deixou passar isso e resolveu ficar comigo! E como se não bastasse isso ele acabou se mostrando todo romântico, vinha me pegar no colégio, trazia presentes, se ajoelhava falando que me amava. Eu vi que não resistia mais e resolvi acabar com o Loiro. Claro que não foi nada fácil para nenhum dos envolvidos (especialmente o Loiro que estava sozinho numa cidade do interior de Minas Gerais). Eu mesma fiquei confusa vários dias me perguntando se eu tinha agido corretamente ou se era só mais uma vontade passageira de ficar com alguém.
Bem, após OITO anos juntos com meu cavaleiro negro de cabelos cacheados acho que realmente fiz a escolha certa. 
Ah, o Loiro? Bom, depois de quase um ano do ocorrido, passamos a nos falar novamente. E não é que descobri nele um amigo em quem confiar? Hoje em dia nós conversamos sobre tudo e ajudamos um ao outro! Sei que é muito difícil manter contato com o ex, mas acabou que o transformei num grande amigo. Lições que eu tiro disso:
*Eu gosto mais de caras que sabem dançar.
**Não guarde mágoas e aprenda a superar.
***Se você quer conquistar uma meninas, o clássico sempre funciona.

***
Que história bonitinha! Mas como vocês já devem ter percebido, eu não gosto só do lado bonitinho das coisas.
Primeiro, namorar três anos à distância é se apaixonar por uma promessa, por um ideal. O amor adolescente vive de toque, de cheiro, de sensação, é verdade, mais pode sobreviver muito tempo de lembrança (quando o outro estava aqui) e de expectativa (quando o outro vai estar aqui). Esse amor vive de imagens - do passado ou do futuro - e tem a seu favor a vantagem de não ser enfraquecido pelo desgaste da convivência. É o amor da Princesa que tem UMA noite linda com o Príncipe e vive na lembrança dela e na expectativa da próxima que, acredita, será tão linda quanto a primeira. (aí eles se casam e vem o cotidiano e acaba com o conto de fadas).
Mas nossa amiga Michele não caiu nessa e foi procurar algo mais real.
Acabou se envolvendo num triângulo amoroso - que, se fosse num romance ou numa tragédia teria terminado invariavelmente em traição e morte - mas no caso dela ninguém morreu. Mas foi traído. (Que o diga o loirinho que perdeu a namorada e o amigo, fura-olho, diga-se de passagem, de uma só vez)
Mas, afinal, quando os dois amigos se interessam ao mesmo tempo pela mesma pessoa, como resolver? Tirando a sorte no palitinho?
Essa pergunta me lembra uma série de outras histórias juvenis!
Aguardem cenas do próximo capítulo!
Mas já podemos adiantar que, no caso da nossa amiga Michele que está há oito anos com seu Cavaleiro, o loirinho foi só um erro de percurso. Ele deve ter trapaceado no palitinho.

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gostar, um segredo

>> quinta-feira, 26 de maio de 2011

Depois que a ferida da rejeição do primeiro amor platônico é curada, vem a curiosidade dos amores – ou quase amores – correspondidos.

Acontece o primeiro beijo, que é dado numa rodinha de “caí no poço” ou de "verdade ou conseqüência", ou no meio de uma brincadeira de “esconde-esconde”, ou por um vacilo que te deixou desprotegido no “ABB”.  De marcante só teve o fato de ter sido o seu primeiro - porque, convenhamos, os quartos, quintos e sextos foram bem melhores, menos “molhados” e com menos “imprevistos” provocados por dentes demais e prática de menos.

E, pronto, estamos finalmente iniciados nessa arena de batalha da qual não sairemos nunca mais. E aí a gente começa a conhecer um novo significado da palavra gostar.

****

Havia se mudado de volta praquela vizinhança há pouco tempo, mas já tinha um motivo pra não sair da rua no tempo em que não estava na escola: o vizinho da frente. Passava a tarde toda no sol, jogando queimada ou bandeirinha, só pra esperar o momento – a qualquer hora – em que ele sairia pra brincar também. Aquele era o auge do seu dia. Estava gostando dele.

****
Depois de um ano difícil na escola, decidiu-se a fazer novas amizades, na série superior, onde ninguém sabia sua história. Entre aqueles novos amigos alguns anos mais velhos, um, que morava perto da sua casa, e que ela seguia discretamente no caminho pra escola, era para ela especial. Pra passar mais tempo com ele, entrou na sua turma de basquete – logo ela, que odiava esportes -, e aprendeu alguma coisa sobre saxofone, o instrumento que ele tocava. Estava gostando dele.

****                                                              
Aula de “Projeto de auto estima”. Cada aluno sorteia o nome de outro aluno, pelo qual ficará “responsável”, enviando mensagens que aumentem sua auto-estima. Ela abre seu papelzinho com curiosidade, não havia pensado em quem queria tirar. Seu coração dispara ao ver um “G”. Sim, tirara ele! O motivo dela não faltar mais a nenhuma aula, dela ter se interessado por rock, o motivo dela ter começado a sentar no fundão. Aquele de quem ela não desviava seu olhar bobo e aéreo nem por um momento. Agora a poderia escrever uma mensagem pra ele, justamente pra ele. Estava gostando dele.

***

Saudade dessa fase em que dizer "eu tô gostando dele" definia exatamente tudo o que a língua dos adultos tem tantas palavras pra expressar - amor, paixão, carinho, apreço, afeto, desejo, atração, "querer se conhecer melhor". 
Fase em que essas frases definiam tudo, e tudo era tão simples e sincero quanto essa palavra dita em segredo:
"E aí, você tá gostando dele?"
"Não fala pra ninguém que eu gosto dele!"
"Tô gostando do mesmo menino que a minha amiga!"
"Aquele, tá vendo? aquele ali, é o menino que eu tô gostando."
"Olha pra ela! Ontem ela disse que tá gostando de mim"

Que  palavra de sabor especial! Que poder de sintetizar todo o bem-querer de que somos capazes!
E aqui, o modo do verbo faz toda diferença: eu não só gosto de você, eu estou gostando! um gerúndio que diz: ontem, hoje e amanhã! Um gerúndio que tem em si a eternidade juvenil.
 Quando foi a última vez que você gostou de alguém?

Isso me lembra outro versinho da sabedoria popular infantil (tão tosco
quanto o anterior):

Gosto do
Gostinho
Gostoso de
Gostar de você!

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o primeiro amor (parte 2)

>> terça-feira, 24 de maio de 2011

Falar do amor do outro faz pensar nas nossas memórias, nos nossos desejos, nas nossas frustrações. Deveríamos nos sentir culpados por explorar isso? Hm, não.

Depois da historinha de ontem sobre o primeiro amor dela, trago hoje uma sobre o primeiro amor dele. Meninos também amam aos nove anos de idade!
Ou pelo menos o M. C. amou.

*** 
Foi entre os nove e dez anos de idade (quarta série ou seja lá como se chame hoje em dia).
Eu sempre tive paixões a primeira vista arrebatadores, inclusive antes disso (sim, eu era uma criança precoce e idealizadora). Quando eu cheguei no primeiro dia de aula e vi a garota comecei a tremer e etc. Eu achava que ela era linda (e, de fato, ela era), que eu ia amá-la pra sempre, aquela coisa toda. Só que, como era absurdamente tímido, não tinha coragem nem de conversar com ela. Eu era do tipo que sofria sozinho, dava bandeira que tava gostando e ainda negava quando as pessoas ao redor vinham tirar com minha cara. (oooooouuun)

Acontece que, no decorrer do ano, inventaram um tal de correio dentro da escola, onde bastava primeiro nome, série e turma pra que se pudesse enviar carta a qualquer aluno. Coincidentemente e paralelamente esse foi meu período de maior sucesso com as garotas (nota-se aqui uma vida amorosa meio fail). Várias delas aproveitaram o ensejo pra mandar cartinha se declarando pra mim. (hahaha, garanhão aos nove anos) Se não me engano eram umas seis. Porém, meu coração já estava transbordando de amores pela garota que descrevi incialmente e que sequer me olhava.

Com o passar do tempo e com a aproximação das pessoas da turma, eu acabei conhecendo-a, conversando um pouco com ela e descobri o trauma da minha vida: ela era saidinha (leia-se, piriguete-mirim) e só queria saber dos "mais velhos". Jamais olharia pra mim. Hoje eu rio ao lembrar do tanto que sofri e me maldisse por, simplesmente, ter levado uns três anos a mais do que eu queria (naquela época) pra nascer. Mas, mesmo sabendo que jamais aconteceria nada (até porque eu morria de nervoso com menina, corria de todas que me mandavam cartinha e, provavelmente correria da que eu amava) eu continuei alimentando dentro de mim o que sentia e idealizando.

Houve um episódio fatídico num daqueles eventos escolares que, a professora (que, não sei porque cargas d'água, me adorava, diga-se de passagem) nos vestiu de Colombina e Pierrot para um desfile de carnaval à moda antiga. (...) desfilar de mãos dadas ao lado dela foi um dos momentos mais sublimes da minha (à época, recém-iniciada) vida amorosa.

O trágico final disso tudo foi mais trágico do que eu imaginava. Ela acabou se tornando, no decorrer do ano letivo, uma daquelas garotas populares, que conhecia muita gente pela escola, era bem relacionada com todos da sala, etc. Então, no decorrer do ano, ela foi aos prantos declarar que estava partindo do Distrito Federal pra Campinas/SP. Meu mundo caiu. Demorou meses (aos dez anos de idade, meses me davam a sensação de décadas) pra que eu me recuperasse da grande desilusão amorosa que foi a coisa toda. Tanto que só me apaixonei de novo cerca de três anos depois.
-
Marcelo Castro

***
A história do nosso apaixonado-mirim termina com ele procurando sua colombina na internet para, por um lado, se certificar de que ela não era essa coca cola toda, e, por outro, finalmente descobrir que ela era realmente a mulher da sua vida. Não aconteceu nenhuma coisa nem outra, porque a sua suposta colombina não sabia ao certo se já havia estado com esse pierrot que nos escreve. Mas de dez anos depois, essa é ainda uma das memórias mais marcantes da vida amorosa do nosso amigo! Fofo, né? Não tão depressa...

Quais as lições que essa pequena historinha nos ensina?

Vejamos. Nosso amigo Marcelo deveria ser um super fofinho quando criança (eu com certeza seria uma das seis que escreveram cartinha pra ele). Mas, em vez de olhar pra uma delas, escolher a mais ajeitadinha e ser feliz aceitando o amor de uma mocinha que o adorava, ele preferiu a biscate da Colombina, que já devia estar dando uns amassos atrás da caixa d’água com os meninos da 7ª série enquanto ele tava feliz em segurar na mão dela pra desfilar.

Isso só comprova minha teoria (é, eu tenho várias teorias) de que todos os homens são originalmente legais e bonzinhos, até que vem uma vaca de uma Colombina e os traumatiza, fazendo com que eles achem que nós menininhas somos todas iguais.
Da próxima vez, Sr. Marcelo, peça um conselho pra tia laranjinha e seja feliz ao lado de uma das seis que te mandaram cartinha!
  
Isso me lembra um versinho (meio tosco, é verdade) de sabedoria popular infantil, com o qual termino esse post:

Ama quem te ama,
e não quem te sorri,
pois quem sorri te engana
e quem te ama sofre por ti.

****

P.s.: E vocês, meninas, já tiveram seu dia de colombina na vida de algum rapazinho tímido? Já traumatizaram algum menininho que era inocente até conhecer vocês?
E vocês, meninos, já se apaixonaram por uma biscate dessa que te deixou desiludido com toooodas as mulheres?

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o primeiro amor

>> segunda-feira, 23 de maio de 2011

Rapazes, me desculpem, mas pra falar de amor eu viro mulherzinha mesmo. Mas encare isso como uma oportunidade de entender melhor as mulheres, (você quis dizer: é perda de tempo), ok, só leia.


Mocinhas, depois de anos convivendo com bonecas – somos mães solteiras aos quatro anos -, príncipes e princesas, eis que chega nossa hora de enfrentar a dura realidade da conquista amorosa em tão tenra idade. Damos o nosso melhor desde cedo (duplo sentido não proposital) e os meninos aí só querendo saber de carrinhos!

***

O primeiro amor sempre são vários. Com ela não era diferente. Tinha nove anos e se apaixonava perdidamente a cada semana pelo menino mais bonito da escola. Seus amores eram sempre platônicos – embora não soubesse o que essa palavra significava – e muito, muito mal disfarçados. Um dentre esses amores se destacou. Sabia que não era correspondida e não estava muito certo do que teria que fazer se o fosse. Mas sabia que estava amando, que queria passar o resto de sua vida – fazendo não sabia o que – com aquele loirinho do sorriso bonito, que passava tanto tempo estudando com ela sem desconfiar de nada. Bobinho!
Quando acabasse o ano, eles se separariam pra sempre, mudariam de escola e o seu amado jamais saberia que tinha uma admiradora secreta. Desabafou sua angústia com as amigas. Descobriu que uma delas também estava apaixonada pelo seu loirinho. “Pois que ele fique com a melhor!”, decidiram, sem saber que ele já estava de namorico (namorico nada, eles estavam se pegando atrás da caixa d’água, isso sim!) com uma terceira amiga.

Confiando no seu talento precoce, escreveu as mais belas cartinhas anônimas de amor para o seu querido, julgando que assim o sensibilizaria e o convenceria de que somente o seu amor era puro e verdadeiro. Nunca obteve resposta. Mudou de escola, mas continuou mandando as cartas. Nada. Um segundo amor viria depois apagar aquela primeira rejeição. Mas a marca daquele primeiro amor de escola imprimiu-se na sua memória com a força da luz daquele sorriso e daqueles olhos azuis.

***
Ouun, que bonitinho, né? Não, meninas! Vamos ver as lições valiosas que essa historinha baseada em fatos reais nos ensina:

*Prefira sempre os morenos, os loirinhos não prestam.
**Se está gostando do cara mais gato da escola/facul/trabalho/balada, não conte pra sua amiga. É ÓBVIO que você não foi a única que percebeu que ele é o mais gato.
 ***Enquanto você fica aí escrevendo cartinha, ele tá pegando a amiga mais gostosa.

(é, talvez eu não seja a pessoa mais aconselhada pra falar sobre amor romântico...) Mas e aí, como foi seu primeiro amor? foi correspondido? foi desilusão amorosa? foi bonitinho? você aprendeu alguma coisa com ele? conta aí :)

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pra não dizer que não falei de amor

A pouco mais de duas semanas do dia dos namorados, tô pensando em preparar uma série de posts sobre a temática que mais ocupou letras de músicas e páginas de romances desde que o mundo é mundo: o Amor. Aliás, o “Amor” com letra maiúscula não, mas o amor. Esse amorzinho nosso de cada dia, da minha vida, da sua vida, das inúmeras histórias que eu tenho acompanhado desde a minha (fracassada) primeira experiência como conselheira amorosa.

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O conceito de “amor” não é universal nem absoluto. É, claro, cultural, e varia. Tristão e Isolda é a grande história de amor que serviu de molde pras que se seguiram: um amor inesperado e  impossível que enfrenta todos os obstáculos e só se realiza plenamente após a morte. (tentador, hein?) Com o passar do tempo, a galera percebeu que esse negócio de ter que morrer pra poder amar era muito dramático e achou que um "e foram felizes para sempre" seria mais apropriado.

O ideal do amor romântico, que ainda era novíssimo, invadiu umas das instituições mais antigas das sociedades – o casamento – e aí todo mundo achou que tinha que se casar, necessariamente, com a pessoa que amava, ou seja, o ideal de felicidade seria aliar prazer,  manutenção da espécie e posição social. Aí surgiram os primeiros psicólogos e livros de autoajuda da humanidade. (true story)

Enfim, o amor romântico entrou de tal forma na cultura ocidental que virou o único tipo de amor verdadeiro, o amor ideal. Hoje, é impossível pr'aquele que foi criado na cultura ocidental não desejar, sequer por um momento, ser a Isolda de algum Tristão e vice-versa (menos a parte de morrer). O nosso amor romântico é tão "propagandeado" que não vê cor nem credo: todos querem amar e ser amados, todos acreditam mesmo que tem esse direito, que é assim que deve ser - que a realidade que for diferente desse ideal é e sempre será a segunda opção. Mudaram até os protagonistas desse amor - se antes eram exclusivamente homem/mulher, agora podemos encontrar as variações homem/homem e mulher/mulher - mas o tipo de amor que se busca é o mesmo. (até quando?)

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O review histórico foi só pra dizer que as coisas não foram sempre como a gente as conhece, logo, muito provavelmente, elas não serão sempre assim, mas, por enquanto é isso aí: o amor romântico domina as paradas de sucesso, os blockbusters do cinema, o horário nobre na TV, os nossos sonhos de mocinha e os powerpoints que a gente recebe por email. É ele o paradigma – contra ou favor, acreditando ou não, é em relação a ele que você tem que se posicionar, do qual você pode até falar mal, mas que é impossível simplesmente ignorar.


Já que não tem pra onde fugir, convido vocês a acompanharem os próximos posts com as minhas histórias inventadas, as que eu roubei dos meus amigos, e as minhas próprias (ninguém precisa saber qual é qual, meu amigo, por favor, não se entregue nos comentários). São histórias sobre como a gente idealiza esse Amor e o quanto essa idealização afeta a nossa realidade tão distante dos príncipes e princesas da Idade Média, e sobre como as segundas opções - as alternativas a esse amor ideal, os amores possíveis, são muito mais divertidos.



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Meninas Malvadas

>> sexta-feira, 9 de abril de 2010

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11/04/2001, em uma classe qualquer de 6ª série.


“11 anos de idade e ainda não consigo ser minimamente popular na escola – ou em qualquer lugar. É o fim do mundo! Chega!”
Foi com esse pensamento seguido de decisão que Bianca se aproximou da rodinha da May, abelha-rainha da turma, e escutou a conversa:
- Você está gostando dele, amiga?
- Ah, não sei, Jô! Acho que sim... Ele é gatinho, né? Só tenho que fazer ele saber que eu tô a fim dele! Você podia falar com os meninos e...
- Nem começa, May! Eu nem falo direito com os amigos do Dudu e...
Bianca não teve dúvidas, aquela era a sua chance! Seu caminho rumo ao reconhecimento e à popularidade começava a ser trilhado. Os anos que passara cultivando a amizade dos meninos – e sendo vista por eles como um – serviriam para alguma coisa. Não hesitou em entrar na conversa. “Oi, meninas!", disse, com naturalidade ensaiada na frente do espelho - Vocês estão falando do Dudu? O Carlos Eduardo da sétima? Eu sou amiga dele!
Passados o estranhamento que aquela intromissão repentina da nerd na conversa causou e o pensamento “ela é amiga de um menino?”, May e Jô continuaram a conversa como se aquela fosse uma situação normal. Depois de verificado que a intrometida poderia, afinal, ser útil, terminaram a conversa como amigas de infância, com tudo combinado para que Bianca falasse com o Dudu no dia seguinte.
E foi com dedicação que o fez, destacando as qualidades da agora sua amiga May, que tinha olhos verde-mel, longos cabelos cacheados e uma voz anasalada que o seu talento para descrições fez parecer sexy. Tudo ia bem. Bianca agora não ficava folheando livros didáticos nos intervalos, mas desfilava de braço dado com May e as meninas. 
O encontro entre May e Dudu atrás da caixa d’água já estava combinado, e Bianca nem se lembrava mais da última vez que fora chamada de Bianca, pois suas novas amigas a chamavam carinhosamente de Bia, quando a inocente desconfiança infanto-juvenil colocou uma pulga atrás da orelha de Jô.
Um dia, sem entender por que Bia ainda falava com Dudu mesmo depois de ter terminado o seu trabalho como cupido, Jô só pode chegar a uma conclusão: ela estava apaixonada por ele! É claro! Uma nerd, andando com as populares, começou a ser reparada na escola, pensou que pudesse ser igual a elas e achou, tadinha, que pudesse concorrer com a May e roubar o Dudu! Como as meninas não viram isso antes? Como o Dudu não viu que ela estava se passando por amiga dele pra dar o bote a qualquer momento?
No dia seguinte, Bianca reparou que as coisas haviam mudado – ou melhor, voltado a ser como eram antes. Chegou na classe e ninguém havia guardado o seu lugar perto das meninas, na hora do intervalo, as meninas não a esperaram pra comprar o lanche, ninguém a convidou pra jogar Banco Imobiliário depois das aulas. Nem pode ir andando pra casa com o Dudu, como sempre fazia, por que a Jô – que antes não falava com meninos – antecipou o encontro dele e da May atrás da caixa d’água pr'aquele dia.
Agora não só era ignorada, como era ignorada intencionalmente.


Estava sozinha de novo e a sua primeira experiência como Conselheira Amorosa foi um fracasso.

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